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Terça-feira, Fevereiro 21, 2006
Temos que partir pra cima deles!
21/02/2006 - PT entrou hoje com ação contra FHC
O Partido dos Trabalhadores distribuiu hoje, por volta das 14h, na Vara Criminal do Foro Regional da Lapa, em São Paulo, uma queixa-crime contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso por crime de difamação contra o partido.
A ação tem por base declarações de FHC em entrevista à revista Isto É de 8 de fevereiro, em que afirma, por exemplo, que ¿a ética do PT é roubar¿, dentre outras ofensas.
Segundo a ação movida pelo PT, o ex-presidente ¿extrapolou os limites do direito de opinião e de manifestação do pensamento para atingir ilicitamente a honra do Partido dos Trabalhadores, ofendendo sua reputação perante todos os brasileiros e em especial os seus filiados¿. O partido entende que essas declarações são ofensivas à sua credibilidade e respeitabilidade.
No texto da ação, o partido lamenta o fato de ser obrigado a propor medida penal contra um ex-presidente da República, mas afirma não poder ¿furtar-se a ela em razão da gravidade das ofensas propaladas¿ por FHC. ¿Ofensas, aliás, incompatíveis com o próprio status de ex-titular da mais alta função republicana, a quem competiria manter a serenidade e a distância de manifestações políticas que transbordem os limites da legalidade e caracterizem crimes contra a honra¿.
Segundo informa o advogado João Piza, representante legal do PT neste processo, o partido entrará com outra ação, ainda sem data definida, responsabilizando civilmente o ex-presidente por danos morais pelas ofensas proferidas.
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Os desafios do Brasil
José Dirceu
Ex-chefe da Casa Civil - * Jornal do Brasil
Reinicio minha participação na imprensa, agora com regularidade, depois de uma longa ausência, durante os 30 meses em que ocupei o cargo de ministro-chefe da Casa Civil no governo do presidente Lula, e dos longos meses em que defendi meu mandato parlamentar. De 1980 a 2002, como parlamentar e presidente do PT, escrevi de tempos em tempos para, praticamente, todos os órgãos de nossa imprensa escrita.
Meu tema será o Brasil e seus desafios, o que já construímos e o que falta fazer, como fazer, como organizar as forças políticas e sociais para concluir o sonho dos que lutaram pela liberdade e independência, e consolidaram nossa nascente democracia.
Não existe nenhuma dúvida de que estamos alcançando um patamar de desenvolvimento que não tem retorno. Depois de realizar, nos últimos anos, algumas tarefas fundamentais, o Brasil está preparado para enfrentar seus desafios históricos, pôr fim à pobreza, consolidar uma democracia participativa, integrar-se e integrar a América do Sul.
Não foi pouco o que se realizou: estabilizar nossa economia e retomar o crescimento, com a criação de 3,57 milhões de empregos em três anos. Serão cinco milhões em quatro anos. O esforço fiscal e monetário, duro, não foi em vão, porque acompanhado de políticas que criam as condições para o desenvolvimento: fim das privatizações e reorganização das estatais, retomada do papel de fomento dos bancos públicos, implantação de uma política industrial e de inovação, desdolarização de nossa dívida interna e superação de nosso eterno estrangulamento externo. Apesar do arrocho fiscal e monetário, avançou-se na política de aumentos do salário mínimo e de investimento em educação e saúde; implantou-se o Bolsa Família, e ampliaram-se os gastos em assistência social.
Mas novos pontos de estrangulamento surgiram. Os problemas estão aí, são graves e precisam de respostas. Em primeiro lugar, estão as reformas política e administrativa. É urgente a reforma política, que não se resume ao modelo de financiamento das campanhas eleitorais, mas decorre, principalmente, da incapacidade de nosso sistema político eleitoral de formar maiorias parlamentares e assegurar a governabilidade no presidencialismo. E, para enfrentar o grave problema de gestão e recursos humanos, faz-se necessária uma ampla reforma administrativa, começando por dar, à Secretaria de Recursos Humanos e de Gestão, status de Ministério, ou que a vincule à Presidência da República.
A segunda urgência é garantir um incremento forte e constante, já iniciado, nos investimentos em educação e inovação, sem o que todo o esforço de crescimento será inócuo. Somente uma revolução educacional e cultural, com o fim do analfabetismo e a universalização do ensino médio e técnico-profissional, até 2010, dará ao Brasil condição de eliminar a pobreza nos próximos 25 anos.
A terceira demanda é dar continuidade à política de investimentos na infra-estrutura social e econômica do país. Ouso propor que o governo federal assuma, como tarefa da União, enfrentar os graves problemas das nossas regiões metropolitanas, criando um Fundo Nacional Urbano, ou ampliando o objeto do atual Fundo Nacional de Habitação. Não acredito que os Estados e Municípios, com suas dívidas com a União e seu serviço (que consome, em média, 15% de suas receitas líquidas), possam, em uma década, superar nosso vergonhoso déficit habitacional, sanitário e de transportes coletivos. Déficit que, aos poucos, inviabiliza a vida nas metrópoles, pelos elevados custos para a atividade econômica e pelo agravamento do desemprego e da violência, reveladores da ausência de uma política social e cultural para as grandes periferias.
O quarto desafio é combinar a estabilidade necessária com uma política de desenvolvimento. Nossa dívida interna, pelo seu prazo e tamanho, torna inviável qualquer política de aumento dos investimentos públicos, mutilando o papel do Estado no planejamento nacional e na distribuição de renda. É hora de reduzir os juros e o superávit, sem descuidar do combate à inflação e da administração da dívida interna.
Por fim, temos que ter consciência do papel do Brasil na América do Sul e Latina. O processo político de integração, que se consolidou nos últimos anos, abre uma oportunidade histórica de integrar, com base no Mercosul, a América do Sul; sem isso, não haverá desenvolvimento para nenhum país isoladamente.
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Agora eles dizem que é a Marta quem ataca FHC. Ele diz que a ética do PT é roubar e nós não podemos rebater? Essa Falha de São Paulo é uma piada!
Marta ataca FHC e diz que tucanos perdem na discussão sobre ética
MAURÍCIO SIMIONATOda Agência Folha, em Campinas.
A ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy, que disputa com o senador Aloizio Mercadante (SP) a indicação do PT à sucessão do governo do Estado, disse hoje que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) tenta levar a discussão eleitoral para "o campo ético" porque nas áreas social e econômica os dados são "devastadores" a favor do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Marta declarou ainda que, se o ex-presidente tucano insistir em levar a discussão para o campo ético, perderá também por causa de casos como "as privatizações, a compra de votos para a reeleição [do ex-presidente FHC] e o caso Sivam [Sistema de Vigilância da Amazônia, que sofreu denúncias de irregularidades durante a sua implantação]".
"Não adianta o presidente Fernando Henrique querer levar a disputa para o campo ético, que é o campo que ele pensa que lhe favorece, porque no campo social e econômico os dados são devastadores a favor do governo Lula na comparação.
Mas se ele quiser levar para o campo ético, nós [PT] podemos também. Porque as questões das privatizações, compra de votos e Sivam são lesivas ao erário".A declaração da ex-prefeita foi uma resposta ao ex-presidente tucano, que disse que "a ética do PT é roubar". "O Fernando Henrique colocou isso [questão ética] no centro, mas não acho que o eleitor vá querer uma discussão destas questões.
Acho que não podemos fugir de uma constatação do que ocorreu [denúncias de corrupção envolvendo o PT]. Foi muito difícil, mas agora temos [PT] é que ter providências rígidas e mostrar programas de governo.
"Marta disse que o PT não aceitará "perder a bandeira da ética". Ela visitou hoje cidades do interior de São Paulo e à tarde se reuniu com o prefeito de Campinas, Hélio de Oliveira Santos (PDT).Ao comentar as recentes pesquisas eleitorais, Marta disse ainda que a tendência é de que a popularidade do presidente Lula continue crescendo nos próximos meses.
"Eu acredito que o presidente Lula só tende a crescer, porque agora começam a ser mostrada nacionalmente todas as conquistas. O que mudou é que o presidente agora está começando a poder colher e mostrar, porque em um governo você planta no início e colhe no terceiro ano e quarto ano", disse.
A ex-prefeita ainda criticou as gestões do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), que, segundo ela, "investem menos e não priorizam serviços públicos".
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21/02/2006 - Petistas vêem erros em relatório de ACM Neto
Parlamentares do PT que compõem a CPMI dos Correios condenaram a postura do sub-relator de Fundos de Pensão da comissão, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), que divulgou nesta terça-feira um relatório sobre uma suposta ligação de 12 fundos de pensão com o chamado "valerioduto". Para o deputado Carlos Abicalil (PT-MT) e a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), o pefelista apresentou dados equivocados para tentar vincular fundos de pensão federais aos bancos Rural e BMG.
Para Abicalil, "a manobra do deputado ACM Neto pariu um rato". "O método que ele adotou não permite a correção monetária dos valores. Perde-se a noção da grandeza, sem sabermos qual o universo de movimentação que foi realizado. Além disso, as gestões dos fundos de pensão em 2002 e 2004 fizeram movimentos rigorosamente idênticos", afirmou o deputado.
O petista argumenta que as aplicações realizadas pelos fundos federais nos bancos Rural e BMG foram as mesmas realizadas pelos fundos privados. "O relator não observa que nesses mesmos bancos outros fundos fizeram rigorosamente as mesmas aplicações no período analisado. Não foi uma operação anômala. As movimentações não foram atípicas, uma vez que, no conjunto dos fundos, os movimentos foram similares entre federais e privados", afirmou.
Carlos Abicalil questionou ainda a atitude de ACM Neto, que queria convocar uma entrevista coletiva para divulgar o relatório. "Ele tinha armado uma coletiva. Mas isso é completamente avesso à ordem dos trabalhos, até porque na pauta não havia previsão para a apresentação de relatório de qualquer espécie", afirmou.
A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) também contestou os dados apresentados pelo deputado ACM Neto. A senadora apresentou um documento elaborado pela Secretaria de Previdência Complementar do Ministério da Previdência, responsável pelo acompanhamento do sistema de previdência privada, que registra as aplicações de todos os fundos nos bancos Rural e BMG.
Segundo ela, os fundos estaduais e fundos privados investiram de forma mais concentrada nos dois bancos do que os fundos patrocinados por empresas federais, foco da investigação do sub-relator de Fundos de Pensão. "Só posso concluir que houve vantagem de mercado para atrair investimentos para esses bancos", destacou.
Ideli também contestou a afirmação de ACM Neto de que haveria coincidência entre resultados de aplicações dos fundos e os saques realizados pelo publicitário Marcos Valério de Souza para abastecer o suposto esquema de "mensalão".
Apontando os gráficos apresentados pelo sub-relator, a senadora mostrou que os maiores saques ocorreram em momentos em que não houve aplicações.
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Sábado, Fevereiro 11, 2006
BARBARA GANCIA PEDE DESCULPAS AO EX- DEPUTADO DIRCEU.
"Errei
Devo desculpas a José Dirceu. Na semana passada, reproduzi neste espaço uma informação -assinada por um colega com quem já trabalhei e que julgava ser um jornalista responsável-, dizendo que o ex-deputado teria comprado uma moto Harley-Davidson V-Rod, no valor de R$ 90 mil. Dirceu não comprou a Harley e não sabe dirigir motos."
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ENTREVISTA COM DIRCEU *Blog do Noblat
¿A chave da próxima eleição presidencial é o PMDB. Se Lula e o PT tiverem cabeça, se aliarão ao PMDB para vencer e governar depois¿, aconselha o ex-ministro da Casa Civil da presidência da República e ex-deputado José Dirceu de volta a Brasília e à política.
Durante dois dias, despachou com ministros, senadores, deputados e representantes de movimentos sociais. Ao todo foram 15 reuniões. A pedido do PT local, fez uma palestra de três horas para seus militantes na noite da última quarta-feira.
Na manhã de ontem, embarcou para o Rio de Janeiro. Passará o fim de semana em São Paulo ocupado com mais reuniões.
¿O PT tem dois bons nomes para o governo de São Paulo, a Marta Suplicy e o Aloizio Mercadante. Mas eu, pessoalmente, estou engajado na campanha da Marta¿, revela descontraído enquanto desfruta um charuto cubano refestelado em uma mesa de canto restaurante Piantella.
¿Na capital, 70% do meu pessoal apóiam a Marta. No interior, 70% apóiam o Mercadante. Qualquer um deles será um bom governador.¿ O PT não governa Estados importantes.
É por isso que Dirceu defende a idéia de o PT apoiar candidatos do PMDB aos governos de nove Estados em troca do apoio do PMDB à reeleição de Lula.
- Podemos apoiar candidatos do PMDB em Estados como Amazonas, Pará, Alagoas, Minas Gerais, Espírito Santo Goiás, Paraná e Santa Catarina, pelo menos. Mas será que o PT estará disposto a se entender com Jader Barbalho no Pará, por exemplo? E com Maguito Vilela em Goiás? ¿ indaga Dirceu.
Ele identifica, pelo menos, duas fortes razões para que o PT se junte ao PMDB. A primeira: ¿Nenhum partido elegerá mais de 100 deputados federais¿. Nas contas do ex-ministro, o PT na Câmara, que soma 90 deputados, deverá ficar 20% menor. Portanto, ¿para governar será preciso fazer alianças, mas alianças de verdade¿.
Segunda razão: ¿O DNA do PMDB é desenvolvimentista e nacionalista, muito parecido com o nosso¿, considera Dirceu. ¿O PSDB não tem nada disso. Ele hoje expressa o pensamento e as posições dos setores mais conservadores da sociedade¿.
Dirceu aposta que o PMDB não realizará as prévias marcadas para escolher em 19 de março seu candidato à sucessão de Lula
¿ Garotinho ou o governador Germano Rigotto, do Rio Grande do Sul. Mas se realizar, acredita que mesmo assim e até junho o PMDB anunciará seu apoio a Lula.
¿Só dependerá de duas coisas: de Lula continuar crescendo nas pesquisas de intenção de voto e da competência dele e do PT para fechar a aliança¿, imagina Dirceu. Uma vez que isso ocorra, o PT será obrigado ¿a compartilhar a coordenação da campanha de Lula com o PMDB e com os demais partidos aliados¿.
- Se Lula atrair o apoio do PMDB, um terço de sua reeleição estará resolvida ¿ decreta Dirceu. ¿E para mim, nada é mais importante do que a reeleição de Lula. Nada¿.
No momento, o ex-ministro calcula que o eleitorado se distribua mais ou menos assim: 40% inclinados a votar em Lula e 40% em José Serra. Dirceu parece convencido de que a eleição ¿será decidida no primeiro turno¿. Não está tão certo, porém, de que o adversário de Lula será o atual prefeito de São Paulo.
¿As elites preferem Geraldo Alckmin. Elas temem Serra. E até serão capazes de preferir Lula porque já o conhecem e sabem que ele é um caminho seguro¿, especula. ¿A Rede Globo, por exemplo, é contra o impeachment e a reeleição. Mas para evitar Serra, ela poderá ficar com Lula¿.
Apesar de ser de esquerda, Lula ¿é um político por natureza conservador¿, testemunha Dirceu. ¿Eu, por exemplo, sou da esquerda moderada. Tem muitos radicais no PT. Mas Lula, não. Ele é conservador. E entre uma opção com risco e outra sem, ele sempre ficará com a segunda. É o jeito dele. Tem a ver com a origem social dele¿, admite.
¿Nos idos de 70, um metalúrgico do ABC paulista tinha uma casa na cidade, um pequeno sítio e um carro. Eu, que era da classe média, não tinha nada disso. Morava de aluguel. E o aluguel era pago por minha mulher¿.
De certa forma, até o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso está empenhado em ¿ajudar a reeleição de Lula¿, confere Dirceu. ¿Desconfio que ele se filiou ao PT. Porque o que ele anda dizendo contra o governo só beneficia Lula¿, ironiza.
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Terça-feira, Fevereiro 21, 2006
Temos que partir pra cima deles!
21/02/2006 - PT entrou hoje com ação contra FHC
O Partido dos Trabalhadores distribuiu hoje, por volta das 14h, na Vara Criminal do Foro Regional da Lapa, em São Paulo, uma queixa-crime contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso por crime de difamação contra o partido.
A ação tem por base declarações de FHC em entrevista à revista Isto É de 8 de fevereiro, em que afirma, por exemplo, que ¿a ética do PT é roubar¿, dentre outras ofensas.
Segundo a ação movida pelo PT, o ex-presidente ¿extrapolou os limites do direito de opinião e de manifestação do pensamento para atingir ilicitamente a honra do Partido dos Trabalhadores, ofendendo sua reputação perante todos os brasileiros e em especial os seus filiados¿. O partido entende que essas declarações são ofensivas à sua credibilidade e respeitabilidade.
No texto da ação, o partido lamenta o fato de ser obrigado a propor medida penal contra um ex-presidente da República, mas afirma não poder ¿furtar-se a ela em razão da gravidade das ofensas propaladas¿ por FHC. ¿Ofensas, aliás, incompatíveis com o próprio status de ex-titular da mais alta função republicana, a quem competiria manter a serenidade e a distância de manifestações políticas que transbordem os limites da legalidade e caracterizem crimes contra a honra¿.
Segundo informa o advogado João Piza, representante legal do PT neste processo, o partido entrará com outra ação, ainda sem data definida, responsabilizando civilmente o ex-presidente por danos morais pelas ofensas proferidas.
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Os desafios do Brasil
José Dirceu
Ex-chefe da Casa Civil - * Jornal do Brasil
Reinicio minha participação na imprensa, agora com regularidade, depois de uma longa ausência, durante os 30 meses em que ocupei o cargo de ministro-chefe da Casa Civil no governo do presidente Lula, e dos longos meses em que defendi meu mandato parlamentar. De 1980 a 2002, como parlamentar e presidente do PT, escrevi de tempos em tempos para, praticamente, todos os órgãos de nossa imprensa escrita.
Meu tema será o Brasil e seus desafios, o que já construímos e o que falta fazer, como fazer, como organizar as forças políticas e sociais para concluir o sonho dos que lutaram pela liberdade e independência, e consolidaram nossa nascente democracia.
Não existe nenhuma dúvida de que estamos alcançando um patamar de desenvolvimento que não tem retorno. Depois de realizar, nos últimos anos, algumas tarefas fundamentais, o Brasil está preparado para enfrentar seus desafios históricos, pôr fim à pobreza, consolidar uma democracia participativa, integrar-se e integrar a América do Sul.
Não foi pouco o que se realizou: estabilizar nossa economia e retomar o crescimento, com a criação de 3,57 milhões de empregos em três anos. Serão cinco milhões em quatro anos. O esforço fiscal e monetário, duro, não foi em vão, porque acompanhado de políticas que criam as condições para o desenvolvimento: fim das privatizações e reorganização das estatais, retomada do papel de fomento dos bancos públicos, implantação de uma política industrial e de inovação, desdolarização de nossa dívida interna e superação de nosso eterno estrangulamento externo. Apesar do arrocho fiscal e monetário, avançou-se na política de aumentos do salário mínimo e de investimento em educação e saúde; implantou-se o Bolsa Família, e ampliaram-se os gastos em assistência social.
Mas novos pontos de estrangulamento surgiram. Os problemas estão aí, são graves e precisam de respostas. Em primeiro lugar, estão as reformas política e administrativa. É urgente a reforma política, que não se resume ao modelo de financiamento das campanhas eleitorais, mas decorre, principalmente, da incapacidade de nosso sistema político eleitoral de formar maiorias parlamentares e assegurar a governabilidade no presidencialismo. E, para enfrentar o grave problema de gestão e recursos humanos, faz-se necessária uma ampla reforma administrativa, começando por dar, à Secretaria de Recursos Humanos e de Gestão, status de Ministério, ou que a vincule à Presidência da República.
A segunda urgência é garantir um incremento forte e constante, já iniciado, nos investimentos em educação e inovação, sem o que todo o esforço de crescimento será inócuo. Somente uma revolução educacional e cultural, com o fim do analfabetismo e a universalização do ensino médio e técnico-profissional, até 2010, dará ao Brasil condição de eliminar a pobreza nos próximos 25 anos.
A terceira demanda é dar continuidade à política de investimentos na infra-estrutura social e econômica do país. Ouso propor que o governo federal assuma, como tarefa da União, enfrentar os graves problemas das nossas regiões metropolitanas, criando um Fundo Nacional Urbano, ou ampliando o objeto do atual Fundo Nacional de Habitação. Não acredito que os Estados e Municípios, com suas dívidas com a União e seu serviço (que consome, em média, 15% de suas receitas líquidas), possam, em uma década, superar nosso vergonhoso déficit habitacional, sanitário e de transportes coletivos. Déficit que, aos poucos, inviabiliza a vida nas metrópoles, pelos elevados custos para a atividade econômica e pelo agravamento do desemprego e da violência, reveladores da ausência de uma política social e cultural para as grandes periferias.
O quarto desafio é combinar a estabilidade necessária com uma política de desenvolvimento. Nossa dívida interna, pelo seu prazo e tamanho, torna inviável qualquer política de aumento dos investimentos públicos, mutilando o papel do Estado no planejamento nacional e na distribuição de renda. É hora de reduzir os juros e o superávit, sem descuidar do combate à inflação e da administração da dívida interna.
Por fim, temos que ter consciência do papel do Brasil na América do Sul e Latina. O processo político de integração, que se consolidou nos últimos anos, abre uma oportunidade histórica de integrar, com base no Mercosul, a América do Sul; sem isso, não haverá desenvolvimento para nenhum país isoladamente.
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Agora eles dizem que é a Marta quem ataca FHC. Ele diz que a ética do PT é roubar e nós não podemos rebater? Essa Falha de São Paulo é uma piada!
Marta ataca FHC e diz que tucanos perdem na discussão sobre ética
MAURÍCIO SIMIONATOda Agência Folha, em Campinas.
A ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy, que disputa com o senador Aloizio Mercadante (SP) a indicação do PT à sucessão do governo do Estado, disse hoje que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) tenta levar a discussão eleitoral para "o campo ético" porque nas áreas social e econômica os dados são "devastadores" a favor do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Marta declarou ainda que, se o ex-presidente tucano insistir em levar a discussão para o campo ético, perderá também por causa de casos como "as privatizações, a compra de votos para a reeleição [do ex-presidente FHC] e o caso Sivam [Sistema de Vigilância da Amazônia, que sofreu denúncias de irregularidades durante a sua implantação]".
"Não adianta o presidente Fernando Henrique querer levar a disputa para o campo ético, que é o campo que ele pensa que lhe favorece, porque no campo social e econômico os dados são devastadores a favor do governo Lula na comparação.
Mas se ele quiser levar para o campo ético, nós [PT] podemos também. Porque as questões das privatizações, compra de votos e Sivam são lesivas ao erário".A declaração da ex-prefeita foi uma resposta ao ex-presidente tucano, que disse que "a ética do PT é roubar". "O Fernando Henrique colocou isso [questão ética] no centro, mas não acho que o eleitor vá querer uma discussão destas questões.
Acho que não podemos fugir de uma constatação do que ocorreu [denúncias de corrupção envolvendo o PT]. Foi muito difícil, mas agora temos [PT] é que ter providências rígidas e mostrar programas de governo.
"Marta disse que o PT não aceitará "perder a bandeira da ética". Ela visitou hoje cidades do interior de São Paulo e à tarde se reuniu com o prefeito de Campinas, Hélio de Oliveira Santos (PDT).Ao comentar as recentes pesquisas eleitorais, Marta disse ainda que a tendência é de que a popularidade do presidente Lula continue crescendo nos próximos meses.
"Eu acredito que o presidente Lula só tende a crescer, porque agora começam a ser mostrada nacionalmente todas as conquistas. O que mudou é que o presidente agora está começando a poder colher e mostrar, porque em um governo você planta no início e colhe no terceiro ano e quarto ano", disse.
A ex-prefeita ainda criticou as gestões do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), que, segundo ela, "investem menos e não priorizam serviços públicos".
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21/02/2006 - Petistas vêem erros em relatório de ACM Neto
Parlamentares do PT que compõem a CPMI dos Correios condenaram a postura do sub-relator de Fundos de Pensão da comissão, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), que divulgou nesta terça-feira um relatório sobre uma suposta ligação de 12 fundos de pensão com o chamado "valerioduto". Para o deputado Carlos Abicalil (PT-MT) e a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), o pefelista apresentou dados equivocados para tentar vincular fundos de pensão federais aos bancos Rural e BMG.
Para Abicalil, "a manobra do deputado ACM Neto pariu um rato". "O método que ele adotou não permite a correção monetária dos valores. Perde-se a noção da grandeza, sem sabermos qual o universo de movimentação que foi realizado. Além disso, as gestões dos fundos de pensão em 2002 e 2004 fizeram movimentos rigorosamente idênticos", afirmou o deputado.
O petista argumenta que as aplicações realizadas pelos fundos federais nos bancos Rural e BMG foram as mesmas realizadas pelos fundos privados. "O relator não observa que nesses mesmos bancos outros fundos fizeram rigorosamente as mesmas aplicações no período analisado. Não foi uma operação anômala. As movimentações não foram atípicas, uma vez que, no conjunto dos fundos, os movimentos foram similares entre federais e privados", afirmou.
Carlos Abicalil questionou ainda a atitude de ACM Neto, que queria convocar uma entrevista coletiva para divulgar o relatório. "Ele tinha armado uma coletiva. Mas isso é completamente avesso à ordem dos trabalhos, até porque na pauta não havia previsão para a apresentação de relatório de qualquer espécie", afirmou.
A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) também contestou os dados apresentados pelo deputado ACM Neto. A senadora apresentou um documento elaborado pela Secretaria de Previdência Complementar do Ministério da Previdência, responsável pelo acompanhamento do sistema de previdência privada, que registra as aplicações de todos os fundos nos bancos Rural e BMG.
Segundo ela, os fundos estaduais e fundos privados investiram de forma mais concentrada nos dois bancos do que os fundos patrocinados por empresas federais, foco da investigação do sub-relator de Fundos de Pensão. "Só posso concluir que houve vantagem de mercado para atrair investimentos para esses bancos", destacou.
Ideli também contestou a afirmação de ACM Neto de que haveria coincidência entre resultados de aplicações dos fundos e os saques realizados pelo publicitário Marcos Valério de Souza para abastecer o suposto esquema de "mensalão".
Apontando os gráficos apresentados pelo sub-relator, a senadora mostrou que os maiores saques ocorreram em momentos em que não houve aplicações.
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Sábado, Fevereiro 11, 2006
BARBARA GANCIA PEDE DESCULPAS AO EX- DEPUTADO DIRCEU.
"Errei
Devo desculpas a José Dirceu. Na semana passada, reproduzi neste espaço uma informação -assinada por um colega com quem já trabalhei e que julgava ser um jornalista responsável-, dizendo que o ex-deputado teria comprado uma moto Harley-Davidson V-Rod, no valor de R$ 90 mil. Dirceu não comprou a Harley e não sabe dirigir motos."
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ENTREVISTA COM DIRCEU *Blog do Noblat
¿A chave da próxima eleição presidencial é o PMDB. Se Lula e o PT tiverem cabeça, se aliarão ao PMDB para vencer e governar depois¿, aconselha o ex-ministro da Casa Civil da presidência da República e ex-deputado José Dirceu de volta a Brasília e à política.
Durante dois dias, despachou com ministros, senadores, deputados e representantes de movimentos sociais. Ao todo foram 15 reuniões. A pedido do PT local, fez uma palestra de três horas para seus militantes na noite da última quarta-feira.
Na manhã de ontem, embarcou para o Rio de Janeiro. Passará o fim de semana em São Paulo ocupado com mais reuniões.
¿O PT tem dois bons nomes para o governo de São Paulo, a Marta Suplicy e o Aloizio Mercadante. Mas eu, pessoalmente, estou engajado na campanha da Marta¿, revela descontraído enquanto desfruta um charuto cubano refestelado em uma mesa de canto restaurante Piantella.
¿Na capital, 70% do meu pessoal apóiam a Marta. No interior, 70% apóiam o Mercadante. Qualquer um deles será um bom governador.¿ O PT não governa Estados importantes.
É por isso que Dirceu defende a idéia de o PT apoiar candidatos do PMDB aos governos de nove Estados em troca do apoio do PMDB à reeleição de Lula.
- Podemos apoiar candidatos do PMDB em Estados como Amazonas, Pará, Alagoas, Minas Gerais, Espírito Santo Goiás, Paraná e Santa Catarina, pelo menos. Mas será que o PT estará disposto a se entender com Jader Barbalho no Pará, por exemplo? E com Maguito Vilela em Goiás? ¿ indaga Dirceu.
Ele identifica, pelo menos, duas fortes razões para que o PT se junte ao PMDB. A primeira: ¿Nenhum partido elegerá mais de 100 deputados federais¿. Nas contas do ex-ministro, o PT na Câmara, que soma 90 deputados, deverá ficar 20% menor. Portanto, ¿para governar será preciso fazer alianças, mas alianças de verdade¿.
Segunda razão: ¿O DNA do PMDB é desenvolvimentista e nacionalista, muito parecido com o nosso¿, considera Dirceu. ¿O PSDB não tem nada disso. Ele hoje expressa o pensamento e as posições dos setores mais conservadores da sociedade¿.
Dirceu aposta que o PMDB não realizará as prévias marcadas para escolher em 19 de março seu candidato à sucessão de Lula
¿ Garotinho ou o governador Germano Rigotto, do Rio Grande do Sul. Mas se realizar, acredita que mesmo assim e até junho o PMDB anunciará seu apoio a Lula.
¿Só dependerá de duas coisas: de Lula continuar crescendo nas pesquisas de intenção de voto e da competência dele e do PT para fechar a aliança¿, imagina Dirceu. Uma vez que isso ocorra, o PT será obrigado ¿a compartilhar a coordenação da campanha de Lula com o PMDB e com os demais partidos aliados¿.
- Se Lula atrair o apoio do PMDB, um terço de sua reeleição estará resolvida ¿ decreta Dirceu. ¿E para mim, nada é mais importante do que a reeleição de Lula. Nada¿.
No momento, o ex-ministro calcula que o eleitorado se distribua mais ou menos assim: 40% inclinados a votar em Lula e 40% em José Serra. Dirceu parece convencido de que a eleição ¿será decidida no primeiro turno¿. Não está tão certo, porém, de que o adversário de Lula será o atual prefeito de São Paulo.
¿As elites preferem Geraldo Alckmin. Elas temem Serra. E até serão capazes de preferir Lula porque já o conhecem e sabem que ele é um caminho seguro¿, especula. ¿A Rede Globo, por exemplo, é contra o impeachment e a reeleição. Mas para evitar Serra, ela poderá ficar com Lula¿.
Apesar de ser de esquerda, Lula ¿é um político por natureza conservador¿, testemunha Dirceu. ¿Eu, por exemplo, sou da esquerda moderada. Tem muitos radicais no PT. Mas Lula, não. Ele é conservador. E entre uma opção com risco e outra sem, ele sempre ficará com a segunda. É o jeito dele. Tem a ver com a origem social dele¿, admite.
¿Nos idos de 70, um metalúrgico do ABC paulista tinha uma casa na cidade, um pequeno sítio e um carro. Eu, que era da classe média, não tinha nada disso. Morava de aluguel. E o aluguel era pago por minha mulher¿.
De certa forma, até o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso está empenhado em ¿ajudar a reeleição de Lula¿, confere Dirceu. ¿Desconfio que ele se filiou ao PT. Porque o que ele anda dizendo contra o governo só beneficia Lula¿, ironiza.
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