Quarta-feira, Novembro 30, 2005
Com sorriso, saúdo o Bravo Guerreiro
( para José Dirceu )
Poderia ser com um grande troféu dourado
no alto do pódium, louros em torna da cabeça,
poderia ser com banho de champanha, espuma espessa,
poderia compor-se de fogos de artifício e um grito ensaiado
por uma torcida forte, um coro uníssono, um troar triunfante...
Poderia...
Até que se cantassem hinos, hasteando-se bandeiras esvoaçantes,
símbolos pertinentes a lutas de antepassados, desde Tiradentes,
batalhas de todos os inconfidentes e os inconformados,
aqueles que deram seu sangue pela Pátri a e dela receberam glórias
ou esquecimentos, ou injúrias ou calúnias, pouco importa,
pois fizeram a sua parte, e como cada bravo guerreiro, teceram memórias...
Poderia ser uma ovação, um intenso aplauso, um desfile apoteótico,
a passagem triunfante e dedentora sobre os tapetes distendidos,
Poderia...
No instante em que fixei meu olhar no soldado em guarda,
nada pude fazer para conter o ímpeto, da pulsão que tive,
e a ele ofereci um prêmio tolo, um mimo brando, um presente conciso...
Disse-lhe, sussurrante, timidamente soletrando a frase:
- Dou-te meu sorriso, bravo guerreiro,
porque de ti, como meus compatriotas, só preciso,
e muito, e infinitamente, e para sempre,
do orgulho de te ver lutando pelo nosso ideal futuro...
Recebe, assim, cavaleiro andante, audaz valente,
meu agradecimento por ser corajoso na batalha, em frente,
em marcha, em cruzada, em coluna, em companhia,
sem esque cer jamais do Brasil que é tua terra de amores,
das lutas que venceste, além da grande vitória.
aquela que terás, afinal, quando chegar o grande dia!
Aparecida Torneros
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Marcio Luis Rodrigues, RJ
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Márcio Santos, RJ
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Marco Antonio Costenaro Fogaça de Almeida, SP
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Maria Cristina F. Ribeiro, MS
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Maria da Graça Garcia Andrade, SP
Maria da Paz Alves da Silva, SP
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Maria de Fátima Dias Miranda, RJ
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Paulo Luiz Moreira Junior, RJ
Paulo P. Rodrigues, PA
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Werbeth das Chagas Ferreira, MA
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Wilson Liria, SP
Wilson Santa Rosa, SP
Wilson Yukio Oshi, SP
Wilton Olivar de Assis, SP
Zaqueu S. Teixeira, RJ
Zé Aguiar Portela, BA
Zenaide Batista Lustosa Neta, PI
Zico, MG
Folha de São Paulo, 30 de novembro de 2005
ARTIGO/ CONTRA A CASSAÇÃO
"José Dirceu não sabe nadar"
FERNANDO MORAIS
ESPECIAL PARA A FOLHA
Embora o conheça há quase 40 anos, não privo da intimidade do deputado José Dirceu. Durante os 30 meses em que ele chefiou a Casa Civil da Presidência, estive em seu gabinete uma única vez e não foi para pedir, mas para lhe oferecer solidariedade após o caso Waldomiro Diniz. Nossas famílias não se freqüentam e até uma semana atrás eu nem sequer sabia onde fica sua casa. Um balanço de nossas relações políticas e partidárias desde 1979, quando ele foi anistiado, revelará mais divergências que afinidades.
Por que, então, perguntam-me, meu comprometimento público com a defesa da inocência e do mandato de Dirceu? Tenho ouvido sugestões que vão do disparate ao insulto. Na semana passada, na cidade de Três Corações (MG), um professor universitário quis saber, a sério, se eu recebera ordens de Fidel Castro para apoiar o deputado. Em um debate no Sindicato dos Jornalistas do Rio, dias atrás, um colega perguntou, sem mover um músculo do rosto, se eu confirmava "um boato que corre nas redações do Rio", segundo o qual eu estaria sendo regiamente remunerado pelo próprio Dirceu para defendê-lo publicamente.
Para responder a dúvidas tão desatinadas, tenho recorrido a uma singela passagem da vida de Ernesto Che Guevara. Logo após chegar ao poder em Cuba, entre as centenas de cartas que recebia do mundo inteiro, ele leu a de uma espanhola residente no Marrocos e, como ele, de sobrenome Guevara. Ela queria saber se poderia haver algum parentesco entre ambos. Che respondeu que, na verdade, nem sabia de que parte da Espanha tinha vindo sua família. "Não creio que sejamos parentes", escreveu, "mas, se a senhora treme de indignação cada vez que se comete uma injustiça no mundo, somos mais que parentes, somos companheiros".
No fundo, é uma situação parecida. O deputado e eu não temos parentesco de qualquer natureza, mas somos companheiros. Eu o acompanho à distância desde que, foca do Jornal da Tarde, em 1966, cobri irregularmente o Movimento Estudantil, de que então ele era expoente. O que se passou depois eu soube lendo os jornais: levado para o Dops depois de desbaratado o congresso da UNE, em 1968, no ano seguinte ele seria um dos 15 presos políticos trocados pelo embaixador dos Estados Unidos. Exilado em Cuba, junta-se a outros 27 militantes e rompe com a ALN (Ação Libertadora Nacional), formando o Molipo (Movimento de Libertação Popular).
Na volta ao Brasil, o grupo é dizimado. Entre os sobreviventes, com o rosto transfigurado por uma cirurgia plástica realizada em Havana, está o Daniel, nome de guerra adotado em Cuba por Dirceu durante o treinamento militar que lá recebeu.
Com aparência e documentos falsos, ele se converte no pacato comerciante Carlos Henrique Gouveia de Mello, estabelecido em Cruzeiro D'Oeste (PR). Casa-se com Clara Becker, e com ela tem um filho, José Carlos, o Zeca Dirceu, atual prefeito da cidade. Nem para Clara nem para o filho "Carlos Henrique" revelaria sua verdadeira identidade.
Este era um segredo compartilhado, no Brasil, com apenas três ou quatro pessoas da cambaleante organização guerrilheira. A "fachada" de dono de confecção permitia que Dirceu circulasse com desenvoltura pelo Brasil e mantivesse contato com seus companheiros sem despertar maiores suspeitas da repressão.
Só com a anistia, em 1979, é que ele finalmente se sentiu seguro para contar a verdade à mulher e ao filho. Voltou a Cuba, desfez a plástica e retornou ao Brasil para iniciar uma brilhante carreira política que o levaria a se eleger deputado federal com mais de meio milhão de votos e a ocupar, desde janeiro de 2003, a Casa Civil da Presidência da República.
É compreensível que setores de uma sociedade conservadora como a nossa tenham dificuldade para aceitar que alguém com semelhante história possa chegar onde chegou, ainda que por meios legais e constitucionais, como o voto. O inadmissível é que, em nome da divergência ideológica ou política, queiram esvurmá-lo da vida pública, condenando-o a um degredo de dez anos dentro de seu próprio país. Quanto mais argumentam, mais seus adversários deixam claro que não pretendem cassá-lo por seus eventuais defeitos, mas por suas virtudes. Parecem querer puni-lo não pelo que tenha feito, mas pelo que foi.
A primeira tentativa de decapitação de José Dirceu aconteceu em fevereiro de 2004, quando do caso Waldomiro. O que aconteceu ali? A mídia divulgou cenas em que o então presidente da Loteria do Estado do Rio, Waldomiro Diniz, aparecia pedindo propina a um bicheiro. Embora o delito tivesse ocorrido muito antes de Lula se eleger presidente, o fato de Waldomiro ter depois ido trabalhar na Casa Civil era o elo que faltava. Pouco importava também se era um fato passado em um governo estadual de oposição ao PT: a presença de Waldomiro na equipe de Dirceu era anunciada como a prova incontestável de que o funcionário agia a mando do chefe da Casa Civil.
Frustrada a degola no ano passado, as denúncias do ex-deputado Roberto Jefferson (aliás, retiradas pelo próprio) ensejaram o esquartejamento de que Dirceu vem sendo vítima há seis meses. O nervo exposto, a medula da acusação feita contra ele no relatório do deputado Júlio Delgado (PSB-MG) está no final do documento, disponível a qualquer internauta no endereço www2.camara.gov.br/conheca/eticaedecoro/notaqui.html.
Delgado consome 70 intermináveis páginas para chegar à conclusão de que "não é crível" que tudo tivesse ocorrido sem que "um parlamentar com tamanho poder de decisão (...) soubesse". Com talento infinitamente maior, La Fontaine já nos contou essa história na célebre fábula do lobo e do cordeiro. Como não se conseguiu provar nenhuma ligação dele com os delitos, querem cassá-lo por ignorar que delitos estavam sendo cometidos.
Mal escaldada pelos crimes que ela própria cometeu como Bar Bodega, Escola Base e Alceni Guerra, para ficar só em três casos, parte expressiva da mídia vem se comportando de maneira escandalosa no chamado "caso Dirceu".
A imprensa investigou, julgou e condenou o deputado e agora tem surtos de histeria porque o Legislativo e o Judiciário se recusam a executar a sentença. Transformados em partidos políticos, veículos mandam às favas os escrúpulos de consciência e esquecem os mais elementares rudimentos do bom jornalismo.
Exemplos pululam. Na semana retrasada, a revista "Veja" publicou uma reportagem de página e meia sobre a suposta falsificação da assinatura do ex-presidente do PT, Tarso Genro, em um documento enviado ao Conselho de Ética da Câmara. Um leitor habitual do semanário estranharia que em um texto de denúncia de mil palavras não houvesse qualquer acusação a Dirceu. A surpresa termina na última linha, onde o deputado entra como Pilatos no Credo: "Não há indício de que José Dirceu esteja envolvido nessa fraude". Na mesma "Veja", um colunista encerra seu artigo com esta gracinha: "Agora, só falta Dirceu andar sobre as águas".
Pode ser. A frase lembra outra, pronunciada nos anos 60 pelo presidente americano Lyndon Johnson, e que pode ser parodiada para os tempos que estamos vivendo: "No dia em que José Dirceu andar sobre as águas, "Veja" dará na capa: ex-ministro não sabe nadar".
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Fernando Morais, 59, é jornalista, escritor, membro do Conselho Superior da Telesur-TV, com sede em Caracas, e autor de "A Ilha" e "Chatô, o Rei do Brasil" (Companhia das Letras), entre outros
JOSÉ DIRCEU.
Fino, elegante, impávido e aclamado.
Este o guerreiro da terra nobre.
Em processo plantado.
Cheio de risco institucionais,
atropelos jurídicos.Prejudicado,
a confirmar sentença anunciado.
O Conselho de E'tica.
Que E'tica, encobre.
Desrespeita normas jurídicas,
Supostas responsabilidades políticas,
de supostos segredos arguido.
Deste Dirceu, nunca vencido.
Pôr trás tudo manobra da Cia.
Fantoches repetem tribunal da Bastilha
Dirceu é Marat. Não merecia.
Este ansioso simulacro e partilha.
Dirceu é labareda estranha.
Fará de novo, 64 onde estava.
Será chicote que amanha.
Que o Brasil aspirava.
DON ANTÔNIO MARAGNO LACERDA
Prêmio UNESCO/poemas.jornal.
www.jornaldosmunicipios.go.to
jornaldosmunicipios@ig.com.br
O DIA D'IRCEU
> > >
> > >
> > >
> > > Denúncia pela denúncia
> > > Zé Dirceu não se acovarda
> > > Descartou sua renúncia,
> > > Porque a justiça é tarda,
> > > Mas a história a fará
> > > Saltar sobre o que é sórdido
> > > Levantar o qu'está mórbido
> > > Pra verdade clarear.
> > >
> > >
> > > Hoje é teu Dia "D", Dirceu!
> > > Quisera o dia "J" de Justiça
> > > Prova, indício, nada apareceu!
> > > Só um processo reverso que enguiça,
> > > Açodado pela sanha guilhotínica
> > > De carrascos, capuz e cara cínica
PREZADOS EX-PETISTAS,
EM NOME DA ÉTICA, QUEIRAM POR GENTILEZA FAZER A RENÚNCIA DE SEU MANDATO. LEMBREM-SE, QUE ELE PERTENCE AO PARTIDO DOS TRABALHADORES E A MILITANCIA.
VOCÊS SE FORAM...A MILITÂNCIA FICOU COM A ESTRELA, FIRME E FORTE!!
VOTAR A FAVOR DA CASSAÇÃO DE JOSE DIRCEU, SERÁ O FIM DE VOCÊS NAS URNAS!!!!! E O ROMPIMENTO BRUTAL COM A MILITÂNCIA!
SAUDAÇÕES PETISTAS.
Senhora ou Senhor Parlamentar,
Meu sentimento acerca do que se passa em nosso País hoje e desde sempre é de profunda indignação: saque aos cofres públicos; uma distribuição de renda iníqua que só perde para Serra Leoa; uma economia apartada da boa política e que serviu e serve aos interesses que não são interesses da nação brasileira; uma ¿elite¿ que jamais pensou um projeto que servisse a nação; uma concentração brutal da terra nas mãos de poucas pessoas enquanto milhares de miseráveis são excluídos e jogados nas ruas das grandes cidades, nas prisões, nas favelas; uma imprensa comprometida com a política econômica que gera a exclusão social de milhões de pessoas e muitos etc ...
Entretanto há algo que mais podre e sórdido no ar ¿além dos aviões de carreira¿: uma perseguição política pior do que nos tempos das ditaduras mais perversas. Por que pior? Simples. Porque nas ditaduras sabíamos o que esperar, até porque não havia liberdade, pois estas foram claramente destituídas quando foi ¿legitimado¿ e instituído o terror e a perseguição política por atos ¿legais¿.
Hoje, quando vivemos em uma ¿democracia¿, o crime político, ou seja, o crime de pensar e ter idéias diferentes, é passível de ser utilizado pelo parlamento, para caçar (não cassar, propositadamente escrevo), um deputado, usurpando-lhe os direitos políticos sem que se tenha constatado nenhuma prova concreta de que este deputado tenha ferido o ¿decoro parlamentar¿ ¿¿.
Não existem provas contra o deputado José Dirceu nos diversos documentos produzidos pelas CPI¿s. Eu conheço todos. As incoerências e contradições contidas no relatório do Conselho de Ética, são tão visível que não resistem a uma análise minimamente conscienciosa. O que se percebe, concretamente, é um esforço visível da oposição para torcer os fatos ¿ a oposição dos ¿irreflexíveis que nunca duvidam e, diante dos fatos, são os fatos que devem neles acreditar¿, como diz um belo poema de Bretch. Além do mais sentem que precisam atender os reclamos da mídia que falam em nome de uma pretensa opinião pública que, na realidade , não passa da opinião de setores majoritários da mídia, os novos ¿cães de guarda¿.
O que é opinião pública? A mim não perguntaram nada acerca desta questão. É a opinião veiculada pela imprensa e pelos jornalistas que se arvoram o direito de se colocarem na posição de ¿fiscais do povo¿? Quem fiscaliza os fiscais do povo? Quem os legitimou para exercerem tal atividade? Foram eleitos? Quando? Eu não vi, não estava presente, não tomei conhecimento e não votei em nenhum jornalista. Eu votei em Deputados para que estes me representarem.
Não sou petista, embora tenha depositado minhas esperanças no governo Lula. Não que eu achasse que seria possível uma mudança radical na condução da política econômica, não. Não sou ingênua e conheço muito bem o atual estágio do capitalismo e como se dá o movimento do grande capital na contemporaneidade. Entretanto, este governo só fez aprofundar com mais intensidade, as políticas neoliberais de Collor, Itamar (este com menos intensidade) e FHC/FHC. Apesar disto, não concordo que NENHUM deputado seja cassado, e nem caçado, por um crime que não cometeu. Crime político significa criminalizar as idéias ¿ ninguém que tenha um mínimo de bom senso pode dar seu aval a isto. Se eu não concordo com meu oponente, não penso em eliminá-lo, ao contrário, vou lutar sempre para que ele tenha o direito de expressar suas idéias porque assim estou garantindo também o meu direito de ter e expressar minhas próprias idéias. O nome disto é democracia.
Muitos dos senhores hoje vão decidir sobre a cassação do deputado José Dirceu. Não se trata de decidir acerca de um delinqüente, um histórico ladrão, um desqualificado. Trata-se de um homem que dedicou sua vida a política. Que sofreu, foi torturado, nunca teve um processo contra ele. Nada em sua vida pessoal e como político o desabona.
Trata-se senhoras e senhoras, de decidir se uma pessoa, qualquer pessoa, pode ser condenada neste país sem provas, em nome de uma coisa difusa chamada opinião pública e ainda se o parlamento se pauta pela imprensa. É a imprensa que movimenta o parlamento (embora tenha assistido exaustivas sessões das CPI¿s em que muitos deputados iniciavam, freqüentemente, sem o menor pudor, sua oitiva, indagando ao depoente: ¿a imprensa publicou hoje .......¿)?
Espero que o Deputado José Dirceu não seja cassado. Se assim o for, não tenho a menor dúvida que o parlamento brasileiro terá dado mais um passo rumo em direção ao passado.
Atenciosamente,
Angela Rangel
Se Dirceu cair, cai de pé
Franklin Martins
É muito arriscado antecipar qual será o entendimento dos ministros do STF a respeito do processo de cassação de Dirceu. Não é só o futebol que é uma caixinha de surpresas. Cabeça de juiz também. Apesar disso, há um sentimento generalizado em Brasília de que o Supremo, ainda que confirme a tese de que o direito de defesa de José Dirceu foi cerceado, tentará encontrar uma fórmula que evite novos atrasos na votação no plenário. A solução poderia ser a supressão dos trechos do relatório questionados pela defesa de Dirceu. Nesse caso, a decisão do plenário poderia ser tomada na quarta-feira mesmo. Os prognósticos a respeito do que deve ser decidido variam muito e, como o voto é secreto, ninguém tem muita certeza de nada. Um mês atrás, Dirceu perderia o mandato por um placar dilatado. Mas de lá pra cá, a situação se alterou pouco a pouco. O ex-ministro partiu para o corpo-a-corpo, procurou pessoalmente quase todos os deputados, conquistou apoios e virou votos. Além disso, fora do Congresso, mobilizou amigos, boa parte do PT e percorreu o país defendendo seu mandato. Tudo somado, o quadro hoje na Câmara é bem mais equilibrado. Ninguém aposta em goleada. Qualquer que seja o resultado, a diferença será pequena. Seja como for, Dirceu já conquistou uma importante vitória: brigou tanto que conseguiu carimbar a idéia de que seu julgamento é político. Se for degolado, não deixará o Congresso pela porta dos fundos como um ladrãozinho, mas como alguém que deu a luta política até o fim, em condições extremamente adversas, e perdeu. Se cair, e o mais provável é que caia, vai cair de pé.
PIZZA TUCANA COM PICOLÉ DE CHUCHU DA da Alckbon
30/11/2005 - Bancada do PT pede na Justiça a instalação de CPIs na
Assembléia Legislativa de SP
A Bancada do PT na Assembléia Legislativa de São Paulo protocolou, ontem (29), às 17 horas, mandado de segurança no Tribunal de Justiça do Estado pedindo a instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs). Desde 15 de março de 2003, nenhum dos 61 pedidos de CPI, sendo 20 de iniciativa petista, foi votado na Assembléia.
"O Poder Judiciário é a última instância a qual podemos recorrer, já que a bancada de sustentação ao governo Geraldo Alckmin cerceia a função fiscalizadora da Assembléia", argumentou o líder dos petistas, Renato Simões.
Segundo os petistas, a base governista faz manobras com o Regimento Interno, como a obstrução da sessão com o esvaziamento do Plenário, para impedir a votação dos requerimentos, avaliam os deputados do PT. Portanto, "verifica-se que o direito da minoria só é exercido se houver a concordância da maioria", assinala a ação judicial.
Da Assembléia Permanente (www.ptalesp.com.br)
CONTRA O IMPRENSAMENTO-DEGOLA do Deputado José Dirceu
Cadê o jornalismo brasileiro?! Quem é Fristão?!
¿No geral, a receita é: desconfie de TODOS os jornais e jornalistas-empregados, no Brasil-2005.
Mas confie nos leitores-eleitores! No pasarán!¿
[entreouvido num boteco, Vila Madalena, São Paulo]
Ontem, a televisão mostrou o bengalador-maluco, tentando atacar a bengaladas o Deputado José Dirceu. O nosso ¿jornalismo¿, tão rápido quanto, nos últimos anos, cada dia mais incompetente, ¿repercutiu¿ a avaliação dos Bornhausens-da-vida, que viu no atentado contra Dirceu, uma ¿manifestação da sociedade indignada, por causa do mar-de-lama¿. Bom... nem há mar de lama nem houve nenhuma manifestação indignada de nenhuma sociedade, por causa de nenhum mar-de-lama inventado. Tudo isso foi completamente inventado, completamente, pelo ¿jornalismo¿ brasileiro incompetente.
De uns tempos para cá, estou convencida de que já não basta denunciar os interesses político-partidários das empresas de mídia, no Brasil. É preciso, também, denunciar a incompetência profissional ¿pessoal¿ e intransferível das Elianes Cantanhedes, dos Fernandos Rodrigues, dos Sardemberghs, dos Clóvis Rossis, das Lillian Witte-Fibe-Lucia-Hippólito e que-tais. Esse pessoal ¿torce¿ pelo PSDB paulista, sim. Mas esse pessoal faz, também, pior jornalismo, a cada dia que passa.
Ontem, o Deputado José Dirceu, felizmente, protegeu-se rapidamente e desarmou o bengalador-maluco. Ótimo.
Se o Deputado José Dirceu fosse um Bornhausen, perigavas de ele ter acabado com a raça do bengalador-maluco. Sorte, para todos, que José Dirceu não seja um Bornhausen-brucutu! Lula é muitos! E o governo Lula vai muito bem.
Resta, intacto, para o leitor brasileiro, o problema de saber quem é o tal de bengalador-maluco. Nenhum ¿jornalista¿ cuidou disso.
No Blog do Noblat, às 11h da manhã seguinte, ¿noticiou-se¿ o que eu (e centenas de internautas) já encontráramos na Internet, desde a noite anterior: que o bengalador-maluco foi figurante de um filme de Mazzaropi, de 1979; e que é autor de livros que, hoje, estão à venda em muitos sebos, a preços que vão de R$5,00 a R$8,00.
A atuação ¿cinematográfica¿ já estava bem clara, desde o que a televisão mostrou: o bengalador postou-se de frente para as câmeras, próximo de Dirceu, ao fundo. De repente, quando as luzes acenderam, para filmar Dirceu, ele bengalou. Foi rapidamente desarmado, cercado pelos seguranças da Câmara de Deputados, e saiu preso. Preso e orgulhosíssimo. Tinha um button, na lapela, que nenhum ¿jornalismo¿ cuidou de identificar. Todos os ¿jornalistas¿ presentes, é claro, viram o button. Nenhum informou o que era aquilo.
Hoje, ¿repercutindo¿ a ¿cena¿ do atentado a bengaladas, contra Dirceu, só o Portal Vermelho, do PCdoB anotou que o bengalador maluco gritou para Dirceu, enquanto tentava bengalá-lo: ¿Você é Fristão! Fristão!¿ ¿ e dê-lhe tentar bengalar Dirceu. Todos os ¿jornalistas¿ presentes, é claro, ouviram os gritos do bengalador. Nenhum ¿jornalista¿ informou sobre esse tal de Fristão.
Bom, mas, afinal... Quem é Fristão?!
Outra vez, só a Internet salvou os leitores de jornal e o público do rádio, no Brasil. Só a Internet informou o público brasileiro, que teve de trabalhar, sozinho, durante a madrugada, para informar-se sobre esse Fristão. Cadê, afinal, o jornalismo e os jornalistas brasileiros?!
Bom. Nós, leitores, fizemos nossa lição de casa. Sorte nossa porque, fazendo, aprendemos a fazer, até, melhor jornalismo... para nós mesmos!
Fristão é um personagem inventado, dentro de um romance também inventado, é claro, como todos os romances. É um personagem de outro personagem. É um nome que D. Quijote enuncia, tirado de sua cabeça, em circunstâncias interessantíssimas, que vale a pena lembrar aqui ¿ como homenagem ao público-leitor-consumidor de jornais e rádio, no Brasil, que, hoje, tem de ser virar, o próprio público-leitor, sozinho, se quiser encontrar boa informação, para si mesmo. Então, lá vai.
O nome Fristão só aparece uma vez, nas 800 páginas do romance Don Quijote. A cena que motiva a fala de D. Quijote (¿Foi Fristão, um feiticeiro que me odeia!¿) é o tema de todo o Cap. VI de Don Quijote e pode ser lido, inteirinho, de graça, em http://www.el-mundo.es/quijote/capitulo.html?cual=6. Nesse capítulo, narra-se o dia em que, estando D. Quijote doente, de cama ¿ sofrendo dos primeiros sintomas que todos, na aldeia, já descrevem como ¿a sua loucura¿ ¿ sua casa é invadida por um padre e um barbeiro que QUEIMAM todos os seus livros, emparedam a sala e fecham, assim, para sempre, a biblioteca de D. Quijote, repleta de livros sobre cavaleiros andantes. Bom jornalista, Cervantes lista até, no romance, todos os livros e respectivos autores que D. Quijote lia... e que foram queimados naquela noite.
No capítulo seguinte (e correspondente página seguinte, na Internet), D. Quijote já está melhor e descobre que seus livros foram queimados. D. Quijote pergunta à sobrinha que vive com ele e cuida da casa sobre o que aconteceu; e a ama diz que o padre e o barbeiro entraram e mandaram queimar os livros (que foram queimados no pátio, durante a noite), dizendo que os livros eram os culpados pela ¿doença¿ de D. Quijote ¿ idéia com que a sobrinha concorda completamente, apesar de ela ser analfabeta ¿por sorte¿, como ela diz.
A sobrinha acrescenta que veio junto, pra queimar os livros, um homem que se apresentou como ¿Munhatão¿. É quando D. Quijote diz, absolutamente sem nenhuma dúvida: ¿Não. Foi Fristão¿. Ao que a sobrinha retruca: ¿Pode ser. Só sei que acabava em ¿ão¿. E D. Quijote continua: ¿Foi Fristão. É um bruxo, meu inimigo figadal, que me odeia porque sabe, por suas artes de bruxo, que eu o derrotarei em batalha. E ele não conseguirá defender-se e eu o matarei.¿
Imediatamente, então, D. Quijote sai à procura de um escudeiro elegante, nobre e letrado, para sua grande viagem de justiçamento-degola de Fristão (dentre outros), e encontra Sancho Pança. Sai a procura de um corcel, e encontra uma mula velha. E o resto é o que se conhece como ¿a segunda salida de nuestro buen caballero D. Quijote de la Mancha¿.
Qualquer ¿jornalista¿ ou colunista ¿de política¿, no Brasil, ontem, que fosse pouco melhor do que perfeito militante da unanimidade-burra, escreveria em jornal/revista ou diria pelo rádio, ontem, no mínimo, isso que aqui está, e que foi levantado, em minutos, a partir de uma informação um pouco mais completa, distribuída pelo Portal Vermelho, do PCdoB.
Qualquer ¿jornalista¿ ou ¿colunista de política¿, na mídia-empresa brasileira, que fosse pouco melhor do que perfeito militante da unanimidade-burra, portanto, facilmente concluiria que o bengalador-maluco, ontem, só pode ser um de dois personagens: (i) ou foi alugado ¿ em movimento do tal de ¿marketing político¿, para facilitar a degola do Deputado José Dirceu; ou (ii) é um doido autônomo, interessado em publicidade gratuita para seus escritos, e leitor de D.Quijote e de colunas da Folha de S.Paulo assinadas pelo General Meira Mattos, ainda, em 2005.
Nada disso se leu nos jornais brasileiros ou ouviu-se pelo rádio ou pela televisão: todos os jornalistas, jornais, revistas e canais de televisão, no Brasil, ontem, ¿ensinaram¿ o público-leitor (e ELEITOR!) que ¿Dirceu levou bengaladas da sociedade cansada do mar-de-lama¿. Deu no portal UOLNews, de D. Lillian Witte-Fibe, exatamente assim, às 12h30, hoje, para assinantes da Folha de S.Paulo e UOLNews.
Vai dar também, com certeza, nesses termos unanimemente burros, naquela horrenda mesa de senhoras (cada dia menos jornalistas e mais ¿senhoras-de-Santana¿) do ¿Programa do Jô¿. Vai ser ¿repercutido¿ no ¿Saia Justa¿, no ¿Programa do Ratinho¿, no ¿Programa do João Kleber¿, do ¿Programa Hebe Camargo¿, no Sérgio Mallandro e, com certeza, também na BandNews, nos comentários do Carlos Nascimento.
E aparecerá também, idêntico, em todos os espaços editoriais e de ¿coluna de política¿ da página 2 da Folha de S.Paulo e d¿O Estadão e, também, no fim de semana, será capa de Veja.
No geral, a receita é: desconfie de TODOS os jornais e jornalistas-empregados, no Brasil-2005. Mas confie nos leitores-eleitores! No pasarán!
Caia Fittipaldi, 30/11/2005
[para Universidade Nômade. Lula é muitos! Pela democratização da mídia, no Brasil!]
Aposentado desafia agressor de Dirceu para duelo de bengalas
Isabel Braga - O Globo
BRASÍLIA - Que o julgamento do deputado José Dirceu (PT-SP) desperta muitas paixões e debates acalorados não havia dúvida, mas agora também tem produzido cenas insólitas no Congresso. Inconformado com a agressão sofrida na terça-feira pelo petista, o aposentado Hindemburgo Almeida Flores, gaúcho de 81 anos, desafiou o agressor de Dirceu para um duelo de bengalas nesta quarta-feira. O aposentado disse que não conhece pessoalmente o ex-ministro da Casa Civil, mas condenou a atitude do escritor Yves Hublet, paranaense morador de Brasília que acertou várias bengaladas em Dirceu quando este saía do plenário.
- Não conheço o José Dirceu, não sou contra nem a favor, mas é uma covardia o que esse outro fez com ele ontem. Vim aqui para desafiá-lo para um duelo de bengalas - protestou o aposentado.
O aposentado disse que votou em Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 e que não há dúvida de que há corrupção no país, mas afirmou que o presidente "está aí para acabar com ela". Para evitar que o aposentado cometesse alguma besteira, já que saíra de casa determinado a dar o troco ao agressor de Dirceu, a família do aposentado telefonou para a segurança da Câmara pedindo que ele fosse detido na entrada do Congresso. Neste momento, Hindemburgo aguarda a chegada da família num gabinete da Câmara.
Leia entrevista de Dirceu ao Jornal do Commercio (PE)
O Jornal do Commercio, de Recife, publica hoje entrevista do deputado José Dirceu. Confira:
¿A sociedade começou a me ouvir¿
INALDO SAMPAIO
Hoje é o ¿Dia D¿ para o ex-ministro José Dirceu no Supremo Tribunal Federal e na Câmara dos Deputados. O STF irá desempatar, com o voto do ministro Sepúlveda Pertence, a votação havida na semana passada (5 x 5) no processo em que o ex-chefe da Casa Civil alega cerceamento de defesa, no Conselho de Ética, por ter ouvido em primeiro lugar suas testemunhas de defesa, deixando por último as de acusação. Se o voto de Pertence lhe for favorável, ele ganhará mais uns 10 dias na luta que trava na Câmara Federal para não ser banido da vida pública pela segunda vez (a primeira foi em 1969, aos 23 anos, quando, junto com outros 14 presos políticos, foi trocado pelo embaixador dos EUA no Brasil Charles Elbrick). Caso lhe seja desfavorável, vai enfrentar hoje mesmo o plenário da Câmara, que irá julgar, a partir das 19h, o parecer do Conselho de Ética pela cassação do seu mandato. Em entrevista exclusiva concedida domingo à noite, no Recife, ao JC, o ex-homem forte do governo de Lula estava sereno, tranqüilo e confiante na absolvição. Disse que a sociedade passou a lhe ouvir depois das manifestações públicas que foram realizados em seu favor e que não existe ¿processo político¿ nos regimes democráticos. ¿Não há provas que me incriminem¿, disse ele, acrescentando que o julgamento por quebra do decoro parlamentar tem que ser feito na Câmara, ¿mas com provas¿. DIRCEU garantiu também nunca ter exigido do presidente da República ou da direção do PT que lhe apoiassem. ¿O presidente sempre declarou que eu era inocente, que não existem provas contra mim, e isso me basta¿. Eis a entrevista:
JORNAL DO COMMERCIO - Depois desses atos públicos em várias capitais contra a cassação do seu mandato, o senhor acredita ter virado o jogo?
JOSÉ DIRCEU - Encaro essas manifestações como um reconhecimento à minha luta pelo direito de me defender. Houve um momento, inclusive, que queriam me negar esse direito. Depois, há um reconhecimento na sociedade de que não se pode prejulgar, que o ônus da prova cabe ao acusador e que existe presunção de inocência. A democracia, disse bem o ministro Marco Aurélio, no Supremo Tribunal Federal, tem um preço: são as normas e a formalidade legal.
JC - Essa capacidade que o senhor demonstra para tentar salvar o seu mandato foi elogiada, em público, pelo prefeito José Serra (PSDB-SP), que faz oposição ao PT. O senhor o procurou para pedir ajuda?
DIRCEU - Não, não houve uma conversa específica sobre o meu processo. Eu estive realmente com ele, acompanhado de um grande amigo meu desde os tempos do movimento estudantil (Dirceu foi presidente da UNE na década de 60) que é Aloysio Nunes Ferreira, seu secretário de governo, e do deputado Sigmarina Seixas (PT-DF). Tivemos uma conversa mais política: sobre o Brasil, sobre o futuro, as reminiscências do movimento estudantil, a nossa luta comum pelas eleições diretas, o restabelecimento da democracia, os problemas que cada um de nós enfrentamos nos governos. Mas não chegamos a discutir ¿ e nem o encontro foi para isso ¿ a minha situação específica.
JC - Recentemente, numa entrevista, o deputado Ricardo Fiúza declarou que o senhor se defende, ¿processualmente¿, secundarizando o mérito das acusações, como, por exemplo, o de ser o mentor do ¿mensalão¿. Que comentário o senhor faz disso?
DIRCEU - Veja bem, eu respondi no mérito todas as acusações que me foram feitas tanto no Conselho de Ética como também nas CPIs. O Conselho de Ética propôs a cassação do Roberto Jefferson (PTB-RJ), e a Câmara acatou, sob o argumento de que ele mentiu ao dizer que existia o mensalão. O relatório da CPI do Mensalão não foi aprovado. Mas o relator Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG) deixou claro que houve transferência de recursos para partidos políticos e não o pagamento a parlamentares. Não há prova disso e muito menos do mensalão. Já o relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), me acusou, sem provas, de haver sido o facilitador dos pedidos de empréstimos (a bancos, para alimentar o ¿valerioduto¿). Agora ele diz que os empréstimos não existiram e que quem sustentou isso vai ser indiciado por falsidade ideológica. As provas que levantaram contra mim não têm nenhuma sustentação, não têm nexo. O relator, na verdade, pegou trechos de depoimentos e quis sustentar com esses trechos que eu era culpado do que me acusavam. Então, respondendo ao Ricardo Fiúza, com quem inclusive tenho conversado, eu entrei no mérito, sim. Agora, ganhou relevo a parte processual porque o próprio Conselho de Ética quis me negar o direito de me defender.
JC - Quando o senhor deixou a Casa Civil, o sentimento majoritário da sociedade era o de que o seu mandato seria cassado. Hoje, depois desses atos públicos de solidariedade, nota o vento soprando em seu favor?
DIRCEU - O que eu percebo na sociedade é que ela passou a me ouvir. Em segundo lugar, ela passou a se dar conta de que não existem provas contra mim. E eu tenho sustentado a tese de que não se deve condenar ninguém politicamente. Só o PT pode me advertir, suspender ou expulsar, se eu cometi alguma falta. E os eleitores de São Paulo poderão não me reeleger para a Câmara Federal em 2006. Eu não quebrei o decoro. Não existe um só processo contra mim na Casa Civil nem encontraram nada de errado na minha vida pessoal, fazendo a devassa que fizeram. Então, a sociedade começa a se dar conta de que o que existe na verdade é um processo político, e não existe processo político nas democracias. Eu não posso ser condenado por ter tido uma participação importante na eleição do presidente Lula ou porque fui ministro do governo. O que se quer é a minha condenação por uma responsabilidade política que eu não tenho.
JC - Na carta que enviou aos outros 512 deputados, o senhor pede, muito humildemente, para não ser banido da vida pública pela segunda vez. Acha que ela sensibilizou muitos parlamentares?
DIRCEU - Sobre a carta, de todos os deputados que conversaram comigo, e foram dezenas, só recebi elogios. Ninguém criticou ou repudiou. Apenas um deputado devolveu e outro disse à imprensa, o que não é verdade, que eu nunca falara com ele e agora estava lhe pedindo o voto. Mas isso não tem importância. Acredito que a carta teve uma boa repercussão.
JC - A que o senhor atribui o fato de o relator do seu processo no Conselho de Ética, Júlio Delgado (MG), que é do PSB e conseqüentemente da base governista, ter pedido a sua cassação?
DIRCEU - Os deputados irão votar segundo suas consciências. Eu tenho conversado com eles por telefone, ou pessoalmente, apresentado a carta, a minha defesa e as minhas razões. O PSB enquanto partido da base do governo tem me apoiado. O presidente Eduardo Campos tem me apoiado, assim como o líder na Câmara, Renato Casagrande (ES). Quanto ao Júlio Delgado, ele tinha o direito de fazer o relatório que quisesse. Não era uma questão partidária. Ele foi escolhido relator pelo presidente Ricardo Izar, e não pelo PSB. Eu tenho um comportamento muito objetivo sobre isso. Ele fez um relatório insustentável, de má-fé, que eu já desmontei ponto por ponto. Ele pegou apenas trechos dos depoimentos para sustentar a sua tese. Os depoimentos como um todo não levam às conclusões a que ele chegou.
JC - Por que o senhor indicou Eduardo Campos como uma de suas testemunhas de defesa?
DIRCEU - Eu fiz questão de indicar dirigentes políticos, parlamentares e integrantes do governo porque eles conheciam o meu trabalho, sabiam que eu não atuava na direção do PT, que não era responsável pelas suas decisões administrativas e financeiras e que, no governo, eu jamais atuei fora da legalidade ou da ética pública. Fiz questão de apresentar o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), o ex-ministro e hoje presidente da Câmara Aldo Rebelo (PCdoB-SP), o presidente do PSB, deputado Eduardo Campos, o (jornalista e escritor) Fernando Morais, que é meu amigo, meu companheiro, nunca escondi isso, e por fim o Arlindo Chinaglia (SP), que era o líder do PT na época em que eu estava na Casa Civil.
JC - O presidente Lula chegou a admitir ao Roda Viva (TV Cultura) que a Câmara cassará o seu mandato. O senhor está recebendo dele a taxa de solidariedade que esperava?
DIRCEU - A minha relação com o presidente Lula é igual à que eu sempre tive, mas não com a mesma intensidade porque eu não sou mais ministro e nem presidente do PT. Eu nunca exigi do presidente nem do PT que me apoiassem. Eu disse que iria me defender sozinho porque a direção do PT tem outras tarefas e o presidente Lula também. O presidente sempre declarou que eu era inocente, que não existem provas contra mim, e isso me basta. O que o presidente expressou era o senso comum que predominava na Câmara naquele momento.
JC - Que achou da declaração de Ricardo Izar de que o STF está interferindo indevidamente nos assuntos internos da Câmara Federal?
DIRCEU - A declaração é falsa, hipócrita, porque quando o Supremo decidiu que eu poderia ser processado, na Câmara, mesmo licenciado do mandato, por quebra de decoro, e não por crime de responsabilidade, ele aplaudiu. Quando o Supremo mandou instalar a CPI dos Bingos, eles não declararam que era interferência indevida (em assuntos de outro Poder). O PSDB e o PFL aplaudiram. Eles querem cercear a minha defesa a ponto de o Júlio Delgado ter declarado que o STF deveria passar a se chamar Supremo Tribunal da Pizza. Então eles aplaudem o Supremo quando a decisão lhes favorece e tentam desmoralizá-lo quando é em meu favor?. A justiça é cega, não tem um olho só.
JC - Raciocinemos agora com o pior cenário: em vez da absolvição, o senhor seria cassado por quebra do decoro parlamentar. O que Zé Dirceu faria da vida?
DIRCEU - Eu já disse e agora reafirmo: se for cassado, vou continuar na militância social e política do País. E, independente de ser cassado ou absolvido, escrever com o Fernando Moraes um livro sobre os meus 30 meses na Casa Civil. Se eu for cassado, não serei mais deputado. Se eu não for cassado, vou continuar como deputado até 15 de fevereiro de 2007 e participar como militante político da campanha do presidente Lula, já que defendo a reeleição. Enfim, não há muita mudança na minha vida se eu for ou não for cassado. Vou continuar lutando pelo meu mandato, pois não posso aceitar ser privado dos meus direitos políticos até 2016. A cassação já é uma violência muito forte e cassação com a suspensão dos direitos políticos por oito anos é uma violência mais forte ainda. Eu pergunto: o que é que eu fiz na minha vida pública de 40 anos que possa justificar uma violência dessa magnitude?
JC - Devido ao conjunto de denúncias que atingem o PT e o governo ainda há condições políticas de o presidente Lula ser reeleito?
DIRCEU - O presidente Lula continua tendo apoio político e muita força eleitoral. O governo dele é bem avaliado e ainda há um ano pela frente. Isso é suficiente para reelegê-lo. É uma disputa difícil, dura, mas os candidatos que estão postos ¿ Serra, Alckmin, Garotinho, Rigotto, Jarbas Vasconcelos ou quem quer que seja ¿, o teto deles é o piso do Lula. O Lula começa a eleição com 30% e estará com certeza no segundo turno.
JC - Procede a notícia de que ACM estaria trabalhando em seu favor?
DIRCEU - Eu nunca escondi as minhas relações com o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), muito menos com o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP). Eu entendia e entendo ainda que essas relações com os líderes da oposição são importantes para garantir a governabilidade e os projetos de interesse do País. Não se trata de apoiar o governo porque o senador Antônio Carlos Magalhães nunca nos apoiou. Eu não conheço nenhuma manifestação pública dele a respeito do meu processo.
JC - Mas o senhor esteve com ele para solicitar apoio à sua cruzada?
DIRCEU - Eu tenho encontro, de tempos em tempos, com várias lideranças da oposição que conversam com o senador. Mas nunca recebi nenhum compromisso dele de fazer isso ou aquilo sobre o meu processo.
JC - E ao líder do PTB, José Múcio, o senhor pediu ajuda?
DIRCEU - Com o José Múcio eu tenho conversado, assim como com os líderes do PTB, do PL, do PP, do PMDB, além do PT, PSB e PCdoB, para apresentar a minha defesa e pedir ajuda no esclarecimento de suas bancadas. O que quero é que todos recebam todas as informações para poderem fazer um julgamento isento, de acordo com suas consciências. Eu espero justiça da Câmara. Foi isso o que eu disse ao líder José Múcio e ao presidente Flávio Martinez (PTB).
JC - Da parte do PSDB e do PFL, alguma manifestação de solidariedade?
DIRCEU - Não. Os deputados geralmente não se manifestam quando me ouvem e eu não quero constranger ninguém a declarar voto. Eu acredito na minha inocência e isso me basta.
Artistas, intelectuais e líderes sociais apóiam Dirceu
Artistas e intelectuais se manifestaram na Câmara dos Deputados na quarta-feira, dia 26 de outubro, contra a cassação de José Dirceu (PT-SP). O documento foi entregre ao presidente da Casa, Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Desde então, o documento está ganhando mais adesões - já são 114 os signatários. Leia a íntegra:
Em defesa da democracia e da Constituição
Cassação do deputado José Dirceu é um ato de injustiça
O país atravessa há praticamente cinco meses uma avalanche de denúncias e especulações. A partir de depoimentos do ex-deputado Roberto Jefferson, nos quais acusou a existência de um suposto esquema para compra de votos entre parlamentares, teve início uma escalada para colocar no banco dos réus o governo do presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores.
Um clima de rancorosa euforia tomou conta das forças oposicionistas. Não hesitaram em classificar e reinterpretar os fatos de acordo com suas conveniências. Pouco importa que nenhuma prova concreta corrobore a versão difundida por setores da mídia convertidos em supremos promotores pairando acima das instituições democráticas. Aos acusadores sequer interessa que as investigações não tenham, até o presente, confirmado qualquer esquema para compra de votos na Câmara. Ou que inexistam evidências sólidas contestando o depoimento do ex-tesoureiro petista, segundo o qual recursos não-contabilizados saldaram dívidas eleitorais e foram originados por empréstimos bancários legalmente reconhecidos pelo Banco Central.
Um grave delito foi cometido, aliás confessado por seus autores, quando se recorreu a métodos irregulares de financiamento, em flagrante violação da lei eleitoral. Milhões de cidadãos não escondem sua decepção com a contaminação do PT por este expediente tradicional e perverso de nosso sistema político. Mas a exploração pública que agora disso se faz contraria preceitos constitucionais e revela ranço antidemocrático. Ignoram-se o direito de defesa, a presunção da inocência, o devido processo legal e a isenção investigativa.
Nos momentos de maior histeria, o objetivo chegou a ser o mandato delegado pelo povo ao presidente da República. Mas desde o início da crise, de forma intensa e incessante, o peso principal de tamanha artilharia recaiu sobre o deputado José Dirceu de Oliveira e Silva, ex-presidente do PT e ex-chefe da Casa Civil.
Não há contra este parlamentar indícios materiais que o vinculem aos recursos irregulares. A principal testemunha de acusação, o ex-deputado Roberto Jefferson, perdeu seu mandato, entre outras razões, porque denunciou sem provas a existência do chamado ¿mensalão¿, quebrando o decoro parlamentar. Um paradoxo que não pode calar: o mesmo colegiado que cassou um dos seus por acusação caluniosa pode expulsar de suas fileiras a principal vítima das calúnias de quem foi condenado exatamente por suas mentiras?
Não estão em questão os erros que o ex-ministro possa ter cometido ou sua responsabilidade política pela crise que atravessa seu partido e o país. A democracia prescreve, para esses males, o julgamento das urnas e a crítica dos correligionários. Imputam-se ao ex-ministro, isto sim, delitos que configurariam desrespeito aos compromissos exigíveis de um mandatário . A ausência de provas levou seus denunciantes a um eufemismo, apelidando de julgamento político um processo que fere garantias constitucionais e ameaça transformar as instituições parlamentares em tribunal de exceção.
A Câmara dos Deputados tem a oportunidade e o dever cívico de impedir esse retrocesso. O deputado José Dirceu não pode ser banido uma segunda vez da vida pública pelo projeto político que representa. Não pode ser punido para satisfazer o ódio dos que sempre foram inimigos das causas que abraçou. Não pode ser cassado para saciar a fome de vingança das forças que historicamente resistiram às mudanças e aos sonhos.
Defendemos o mandato do deputado José Dirceu. Não precisamos desculpá-lo por seus equívocos, concordar com suas atitudes ou subscrever suas idéias. Mas a cassação desse parlamentar seria uma afronta às regras democráticas cuja conquista custou tanta luta e sacrifício.
Assinam o manifesto
Abelardo Blanco, arquiteto
Afonso Borges, jornalista e produtor cultural
Afonso Magalhães, coordenador da Central de Movimentos Populares
Aldo Lins e Silva, advogado e conselheiro da República
Alfredo Buso, arquiteto
Aluisio Palmar, jornalista
Alvaro Caropreso, jornalista
Amilton Vieira, jornalista
Ana Clara Schemberg, bióloga
Ana de Hollanda, cantora
Ana Fonseca, socióloga
Ana Maria Muller, advogada
André Klotzel, cineasta
Antonio Abujamra, ator e diretor de teatro
Antonio Grassi, ator
Antonio Netto, presidente da CGTB
Antonio Pitanga, ator
Argemiro Ferreira, jornalista
Ariovaldo Ramos, pastor evangélico
Aton Fon Filho, advogado
Augusto Boal, autor e diretor teatral
Beth Fleury, jornalista e escritora
Candido Mendes, cientista político
Caio Rosenthal, médico
Cecília Vicente de Azevedo Alves Pinto, escritora
Celso Frateschi, ator
Clarisse Abujamra, atriz e coreógrafa
Cláudio Cerri, jornalista
Claudio Kahns, cineasta
Claudio Tozzi, pintor
Consuelo de Castro, escritora
Cosette Alves, empresária
Dalmo Dallari, jurista
Darcio Pauperio Serio, advogado
Eduarda Duvivier, arquiteta e escultora
Eduardo Fagnani, economista
Eleonora Mendes Caldeira, psicóloga
Emir Sader, cientista político
Eric Nepomuceno, jornalista e escritor
Fernando Lyra, advogado
Fernando Morais, escritor
Flávio Tavares, jornalista e escritor
Fred Ghedini, jornalista
Frederico Mazzucchelli, economista
Gianfrancesco Guarnieri, ator e escritor
Guilherme Fontes, ator e cineasta
Gustavo Trestini, ator
Hildegard Angel, jornalista
Ildo Sauer, professor universitário
Ivo Rosset, empresário
Jards Macalé, músico
João Felício, presidente da CUT
José de Abreu, ator
José Roberto Aguilar, artista plástico
Laércio de Almeida Lopes, psiquiatra
Lawrence Pih, empresário
Lia Ribeiro Dias, jornalista
Luciano Chirolli, diretor de teatro
Luciano Coutinho, economista
Lucy Barreto, produtora de cinema
Luis Vergueiro, publicitário
Luiz Carlos Barreto, cineasta
Luiz Carlos Rocha Gaspar, advogado
Luiz Fernando Emediato, jornalista e editor
Luiz Gonzaga Belluzzo, economista
Luiz Paulo Rosenberg, economista
Malu Alves Ferreira, jornalista
Manoel de Serra, presidente da Contag
Márcia Frazão, escritora
Marcos Terena, líder indígena
Maria Alice Vergueiro, atriz
Maria Augusta Carneiro Ribeiro, socióloga
Maria das Graças Sena, produtora de cinema
Maria do Amparo Araújo, Familiares de Mortos e Desaparecidos
Maria Helena Moreira Alves, cientista política
Mariza Leão, cineasta
Olgária Mattos, filósofa
Oscar Niemeyer, arquiteto
Osmar Prado, ator
Ottoni Fernandes Jr., jornalista
Paulo Betti, ator
Paulo Caruso, cartunista
Paulo Maldos, psicólogo
Paulo Mendes da Rocha, arquiteto
Paulo Ribeiro, empresário
Paulo Thiago, cineasta
Paulo Vanucchi, cientista político
Pedro Paulo Sena Madureira, editor
Radha Abramo, crítica de arte
Raimundo Rodrigues Pereira, jornalista
Reinaldo Guarany, artista plástico e escritor
Renato Borghi, ator
Ricardo Kotscho, jornalista
Ricardo Ohtake, arquiteto
Rose Nogueira, jornalista
Rubens Chachá, ator
Rui Goethe da Costa Falcão, jornalista e advogado
Samuel Aarão Reis, professor
Sérgio Amadeu, sociólogo
Sérgio Mamberti, ator
Sérgio Cardoso, filósofo
Sérgio Rezende, cineasta
Sérgio Sérvulo da Cunha, advogado
Sérgio Sister, jornalista e artista plástico
Silvio da Rin, documentarista
Suzana Keniger Lisboa, Familiares de Mortos e Desaparecidos
Sylvia Bahiense Naves, diretora da Cinemateca Brasileira
Tizuka Yamasaki, cineasta
Toni Cotrim, publicitário
Toni Venturi, cineasta
Vanderley Caixe, advogado
Vânia Catani, produtora de cinema
Vanya Guarnieri, socióloga
Vladimir Sacchetta, jornalista e produtor cultural
Wagner Tiso, músico
Walnice Nogueira Galvão, escritora e crítica literária
Zélio Alves Pinto, artista plástico
Ziraldo, cartunista
O uso do cachimbo entorta a boca...
30/11/2005 - Bancada do PT solidariza-se com Dirceu contra agressão física
O líder do PT na Câmara, Henrique Fontana (RS), divulgou na noite desta terça-feira, em nome da bancada, uma nota em solidariedade ao deputado José Dirceu (PT-SP), agredido por um oficial da reserva da Aeronáutica ao sair do plenário da Casa. A seguir, a integra da nota:
¿A Bancada do PT recebeu com indignação a covarde agressão cometida hoje contra o deputado José Dirceu dentro das dependências da Câmara e manifesta total solidariedade ao companheiro.
Ao mesmo tempo, a Bancada solicita ao presidente Aldo Rebelo empenho para que o episódio seja investigado rigorosamente e todas as medidas cabíveis sejam tomadas a fim de que fatos deploráveis como este não se repitam contra qualquer parlamentar.
Deputado Henrique Fontana
Líder da Bancada do PT na Câmara dos Deputados¿
Agência Informes (www.informes.org.br)
Advogados e juristas defendem mandato de Dirceu
Advogados e juristas elaboraram carta em defesa do mandato do deputado José Dirceu. Leia a íntegra do documento:
Carta de advogados e juristas
Em defesa do mandato de José Dirceu e da Constituição
"Pelo que fizeram, se hão de condenar muitos.
Pelo que não fizeram, todos!
A omissão é o pecado que se faz não fazendo."
(Padre Antônio Vieira)
O conceito de Estado de Direito, por certo, não é unívoco, mas, em nosso país, apresenta contornos suficientemente objetivos.
A supremacia da Constituição, a separação dos poderes, a superioridade da lei e a garantia dos direitos individuais são os alicerces de sua materialização.
Como bem acentua Norberto Bobbio, todos os mecanismos constitucionais que impedem ou obstaculizam o exercício arbitrário e ilegítimo do poder, e desencorajam o seu abuso ou o seu exercício ilegal, integram, em sentido forte, a noção de Estado de Direito.
A desconstrução de quaisquer das referidas pedras de toque ameaça gravemente nossas Instituições, e o próprio regime democrático em que ganham corpo.
Um olhar lúcido e independente sobre o processo de cassação do mandato parlamentar de José Dirceu, com suas injustificáveis ilações, faz-nos mergulhar na fragilidade dos mecanismos de contenção dos já conhecidos interesses de determinados grupos sociais na ordem constitucional vigente.
O desrespeito ao devido processo legal o alça a mera formalidade, dando contornos ainda mais graves ao que ora se denuncia.
Julgamentos, políticos ou não, devem atender a um conjunto ordenado de atos e fatos, cujos fins são juridicamente regulados.
As peculiaridades do julgamento legislativo não descaracterizam os limites impostos para sua atuação, em respeito estrito à proteção da ordem democrática.
Acreditar na democracia é acreditar na complexidade de seus instrumentos de controle, respeitando os caminhos legítimos e recusando soluções que agridam o estado de direito.
A clara tentativa de controle político da opinião pública acoberta o flagrante desrespeito aos princípios da presunção de inocência e da separação de poderes. O exercício de pressão política sobre o Judiciário busca comprometer sua tarefa de limitar e controlar os demais poderes dentro de suas competências específicas.
E contra isso gritamos.
Falaremos sempre, mesmo quando o falar representar um perigo.
E nunca nos calaremos quando o calar representar um crime.
Conclamamos, pois, a Câmara dos Deputados, seus órgãos e os demais Poderes, a defender o mandato do deputado José Dirceu, a reafirmar a crença na manutenção de nosso Estado Social e Democrático de Direito, observando suas regras e respeitando seus limites.
ALDO LINS E SILVA
DALMO DE ABREU DALLARI
HELIO PEREIRA BICUDO
JORGE DE SERPA
ADHEMAR GIANINI
ADILSON JOSÉ BARBOSA
ADOLFO ROSÁRIO DE CARVALHO
ADRIANA ANCONA DE FARIA
ADROALDO ALMEIDA
ALAN EMANUEL CAVALCANTE TRAJANO
ALBERTINO SOUZA OLIVA
ALBERTO MOREIRA RODRIGUES
ALICE MIEKO YAMAGUCHI
ANA LUCIA RIBEIRO MARQUES
ANTÔNIO CARLOS DE ALMEIDA CASTRO
ANTONIO ESCOSTEGUY CASTRO
ATON FON FILHO
CAMILA GIURNO
CARLA MARIA NICOLINI
CARLOS FREDERICO BENTIVEGNA
CARLOS GUEDES DO AMARAL JUNIOR
CARLOS HENRIQUE DE PONTES VIEIRA
CELSO MARTINS FONTANA
CLAUDIA TRINDADE
CLAUDISMAR ZUPIROLI
CRISTIANA CARVALHO MENDES DE OLIVEIRA CASTRO
DALVA OLIVEIRA
DANILO DE CAMARGO
DARCIO PAUPÉRIO SÉRIO
DOUGLAS GERSON BRAGA
EGIDIO SALLES FILHO
ELKE GOMES VELOSO
ELMANO DE FREITAS DA COSTA
ERLI CAMARGO
FÁBIO FERNANDES GERIBELLO
FLÁVIA CRISTINA DE ARAÚJO LOPES
FRANCISCA MARTIR DA SILVA
FRANCISCO JOSÉ CALHEIROS RIBEIRO FERREIRA
GERALDO RINALDI
HELIO FREITAS DE CARVALHO SILVEIRA
IMAR EDUARDO RODRIGUES
IVANI MARTINS FERREIRA GIULIANI
JEAN KEIJI UEMA
JOHN RÖHE GIANINI
JORGE SANTOS BUCHABQUI
JOSÉ ANTONIO DIAS TOFFOLI
JOSÉ EDUARDO MARTINS CARDOSO
JOSÉ RUBENS DA SILVA
JUAREZ SOARES CALDAS
JUCIMARA GARCIA MORAIS
JULIANA WERNEK DE CAMARGO
JULIO CESAR MACEDO AMORIM
LAFAIETE LUIZ DO NASCIMENTO
LILIAN RIBEIRO
LUIS FERNANDO MASSONETO
LUIZ CARLOS SIGMARINGA SEIXAS
LUIZ EDUARDO GREENHALGH
LUIZ JOSÉ BUENO DE AGUIAR
LUIZ TARCISIO TEIXEIRA FERREIRA
MARCIA JAIME
MARCIO LUIZ SILVA
MARCO AURELIO DE CARVALHO
MARCO AURÉLIO FERREIRA
MARCUS MENEZES BARBERINO MENDES
MARIA DAS DORES NASCIMENTO
MARIA LUIZA FLORES BIERREMBACH
MARIA LUIZA Q. TONELLI
MARICY VALLETTA
MOACYR NUNES DE BARROS
NILZA FIUZA
PATRICK MARIANO GOMES
PAULO TEIXEIRA
PEDRO ESTEVAM SERRANO
PEDRO GROSSI MATIAS
RENATO AFONSO GONÇALVES
RONALDO MARQUES DOS SANTOS
SARA MERCES
SERGIO RABELLO TAMM RENAULT
SIBELIUS JACINO
SOLANGE ROGELIA LUCHINI
SÔNIA MARIA RABELLO DOXSEY
SONIA RÁO
SONIA REGINA CESAR PAZ
STELLA BRUNA SANTO
SUZANA ANGELICA PAIM FIGUEIREDO
TARSO GENRO
TEREZINHA DE JESUS AMORIM
VICTOR CARLOS CASABONA
WALTER DO AMARAL
Segunda-feira, Novembro 28, 2005
A histeria do senador Bornhausen
Passado sinistro
Por Altamiro Borges
Na crise política que se arrasta no país há mais de cinco meses, sinistros personagens têm conquistado os holofotes da mídia por sua postura raivosa e golpista. Entre eles, destaca-se o senador Jorge Bornhausen, presidente do PFL. Quando a tensão atingiu o seu ápice, ele festejou a possibilidade do impeachment do presidente Lula e da derrota das esquerdas para uma platéia de ricaços em São Paulo: "Vamos nos livrar dessa raça por uns 30 anos". Rechaçado pela declaração racista, o notório reacionário tentou remendá-la. Na seqüência, diante dos cartazes espalhados em Brasília com sua foto sobreposta a uma imagem nazista, ele teve um chilique e esbanjou histeria, relembrando seus velhos tempos de serviçal da ditadura militar.
Agora, ameaça processar o sociólogo Emir Sader, um dos intelectuais brasileiros mais lúcidos e corajosos na denúncia da oposição de direita e que o taxou de "banqueiro racista" num texto à Agência Carta Maior. Lamentavelmente, o seu pronunciamento do Senado anunciando a abertura do processo teve o beneplácito de senadores petistas e pedetistas, bem ao estilo da cínica diplomacia parlamentar [1]. A ofensiva da velha raposa oligárquica, que durante algum tempo ficou na moita, mostra que a oposição liberal-conservadora está excitada. Escorraçada na eleição presidencial de 2002, ela parte para a revanche e não esconde o seu ódio de classe - para tristeza dos mercadores de ilusões que apostaram no fim da luta de classes no país!
Passado sinistro
Mas o senador Jorge Konder Bornhausen não está com esta bola toda! Como desabafou recentemente o presidente Lula, irritado com os hidrófobos do PFL, "eles não têm moral para criticar". Na vida política, o senador sempre esteve a serviço das piores causas. Ele iniciou sua carreira na UDN, partido da elite, com roupagem moralista, conhecido pelas ações golpistas contra Getúlio Vargas e João Goulart. Após o golpe de 1964, foi um dos líderes da Arena, partido da ditadura, da tortura e dos assassinatos, sendo presenteado com o posto de governador biônico de Santa Catarina. Com a redemocratização, fundou o PFL e ajudou a forjar a imagem de Fernando Collor de Mello. Defendeu este governante corrupto até o seu impeachment.
No triste reinado de FHC, Bornhausen foi um de seus principais ministros e ajudou no nocivo processo de privataria do Estado e de desmonte do Brasil. Em toda sua trajetória política, inclusive como embaixador, ele se projetou pela postura de subserviência diante dos interesses imperialistas dos EUA e de apologista do ideário neoliberal de enxugamento e privatização do Estado, de abertura indiscriminada do mercado interno, de redução dos gastos públicos nas áreas sociais e de flexibilização dos direitos trabalhistas. Uma coisa é certa: ele nunca escondeu as suas posições nitidamente identificadas com as teses da direita mais reacionária e entreguista, como se constata em seus discursos no Senado de fácil acesso na internet.
Já na vida privada, o banqueiro Jorge Bornhausen também tem um passado bastante suspeito. Oriundo de uma família oligárquica de Santa Catarina, ele sempre gozou de muito dinheiro e poder, tanto que chegou à presidência da poderosa Federação Brasileira dos Bancos (Febraban). Nas relações promiscuas entre o público e o privado, que caracterizam os patrimonialistas tupiniquins, o senador já foi acusado de vários atos ilícitos. Em junho de 2002, por exemplo, a revista Isto É denunciou: "Na investigação sobre remessa ilegal de dinheiro, Polícia Federal acha boleto bancário em nome de Bornhausen". A matéria descrevia em detalhes um megaesquema de corrupção no envio irregular de bilhões de dólares do Brasil ao exterior.
"Na papelada encontrada por investigadores americanos na agência do Banestado em Nova York havia um boleto bancário no valor de R$ 185 mil em nome de Jorge Konder Bornhausen". Esse montante teria saído da agência do Banco Araucária em Foz do Iguaçu. Em seguida, passou por um offshore num paraíso fiscal e desembarcou nos EUA. Com 35 mil páginas, o relatório da PF revelava a movimentação de 137 contas suspeitas feita através da CC-5. Entre 1992 e 1997, pessoas e empresas utilizaram este recurso para enviar ilegalmente ao exterior R$ 124 bilhões. Deste montante, a PF identificou quase R$ 12 bilhões que provinham de dinheiro sujo, "procedente de corrupção, tráfico de drogas e de armas e outros ilícitos" [2].
Estranhamente, FHC arquivou o dossiê da PF e ainda afastou o delegado José Castilho Neto, responsável pela investigação. "O estopim foi a divulgação do nome do presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen, entre os envolvidos no esquema de lavagem de dinheiro". A investigação ainda incriminou vários tucanos de alta plumagem, como o próprio FHC, José Serra e o falecido Sérgio Mota [4]. Revelou que o Banespa, sob controle do PSDB, usou este mesmo esquema de lavagem para enviar US$ 50 bilhões ao exterior em 1997. O Banestado quebrou em 1998, num escândalo que causou prejuízos de US$ 200 milhões para seus quatro mil clientes. Essa lavanderia mundial foi uma das fontes de recursos do condomínio PSDB-PFL.
Jorge Bornhausen também aparece em outros casos sinistros. Segundo o deputado Eduardo Valverde (PT-RO), ele esteve diretamente envolvido no escândalo da Pasta Rosa, que relacionou 49 parlamentares que receberam dinheiro para suas campanhas da Febraban e do Banco Econômico que nunca foi contabilizado - o famoso caixa-2. Luiz Carlos Bresser Pereira, tesoureiro da campanha de FHC em 1994, reconheceu publicamente que cerca de R$ 10 milhões destes recursos não foram contabilizados. O senador ainda é citado no caso da Feira de Hannover, "em que sua filha, sócia de uma empresa, ganhou sem licitação um contrato de quase R$ 17 milhões para a organização da feira. Jorge Bornhausen foi o principal defensor do governo FHC porque obtinha vantagens, não era por ideologia", ironiza o deputado petista.
Em junho de 2003, os procuradores Luiz Francisco de Souza, Raquel Branquinho e Valquíria Quixadá entregaram à Receita Federal cerca de seis mil documentos sobre 52 mil pessoas que lavaram US$ 30 bilhões nos EUA a partir do Banestado de Foz do Iguaçu. O maior foco de investigações recaiu sobre "a família do sr. Jorge Bornhausen, do PFL, cujo banco familiar, o Araucária, lavou ao menos US$ 5 bilhões nesse esquema, que envolvia dinheiro de traficantes, de doleiros, mas sobretudo das sobras de campanhas eleitorais" [5]. Todos estas graves denúncias, infelizmente, não fluíram no conciliador governo Lula. Elas bem que poderiam desmascarar muitos dos que hoje pousam de políticos honestos e esbanjam arrogância.
Notas
1- Marco Aurélio Weissheimer. "Escolha o seu lado e as suas causas". Agência Carta Maior, 04/11/05.
2- Andrei Meireles e Expedito Filho. "Surpresa para todos". Revista Isto É, 17/06/2002.
3- Amaury Ribeiro e Sônia Filgueiras. "Operação maluco". Revista Isto É, 21/06/2002.
4- Leonardo Attuch e Hugo Studart. "Os nomes e as provas do dossiê da PF". Isto É Dinheiro, 07/07/02.
5- "MP acusa Bornhausen de lavar US$ 5 bilhões no exterior". Revista Consultor Jurídico, 15/06/03
Altamiro Borges é jornalista, membro do Comitê Central do PCdoB, editor da revista Debate Sindical e autor do livro "Encruzilhadas do sindicalismo" (Editora Anita Garibaldi, junho de 2005).
Sex, 25 Nov - 21h38
Ex-presidentes do STF defendem interferência no caso Dirceu
Por Marcos de Moura e Souza e Natuza Nery
SÃO PAULO/Brasília (Reuters) - O Supremo Tribunal Federal (STF) tem competência para avaliar o caso do deputado José Dirceu (PT-SP) e não está interferindo indevidamente no poder Legislativo, como acusam alguns parlamentares, disseram nesta sexta-feira dois ex-presidentes da corte.
Sydney Sanches -- que presidiu o Tribunal durante a crise do governo do presidente Fernando Collor de Mello (1990-1992) -- e Maurício Corrêa -- penúltimo presidente da Casa -- concordam que pode até haver equívocos nos votos dos atuais ministros do STF sobre o recurso de Dirceu, mas dizem que não se pode discutir a legitimidade do tribunal de intervir no caso.
"O Supremo sempre tem admitido mandados de segurança de quem alega ter seus direitos violados. Isso não é interferência ilegítima, é cumprimento da Constituição", disse Sanches, por telefone, à Reuters.
Ele lembra que durante a gestão Collor, o STF aceitou julgar diversos mandados de deputados e também do próprio presidente e diz que não havia polêmica sobre eventual interferência de poderes. O STF tem agido assim, pelo menos, desde a promulgação da Constituição, em 1988.
Na época de Collor, segundo Sanches, o ex-ministro Paulo Brossard era um dos poucos que entendiam que o STF não podia aceitar mandados contra a Câmara e o Senado, sustentando que atos políticos deveriam ficar restritos às duas casas. "Mas ele sempre ficava vencido nessas decisões", disse.
"No fundo, o Supremo também tem uma missão política, não é uma instituição apática ao que ocorre na sociedade brasileira", afirmou Corrêa à Reuters.
"Não concordo com essa crítica (de interferência entre poderes) e não é o caso de fazer censura ao Supremo Tribunal Federal", acrescentou.
CRISE ENTRE PODERES
Na quarta-feira, o STF avaliou um mandado de segurança de Dirceu, no qual ele dizia que havia irregularidades no processo de cassação de seu mandato na Câmara dos Deputados. Cinco ministros votaram contra Dirceu.
Outros cinco aceitaram parcialmente a sua defesa -- o que levou à suspensão da sessão. A decisão final deve ser tomada somente na quarta-feira pelo ministro Sepúlveda Pertence, que não participou da sessão. O deputado -- que é apontado como um dos mentores do chamado mensalão -- alega que houve cerceamento da defesa já que o Conselho de Ética da Câmara ouviu testemunhas de acusação antes das de defesa, o que quebraria o rito processual.
Dirceu já havia recorrido outras vezes ao STF e chegou a conseguir o adiamento do processo na Câmara. Alguns deputados e senadores passaram então dizer que o Judiciário estava interferindo indevidamente na esfera do Legislativo.
"Estamos saindo de uma crise política e começando a entrar numa crise entre poderes", afirmou na sexta-feira o presidente da CPI dos Correios, o senador Delcídio Amaral (PT-MS).
Incomodado, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio, chegou a dizer na quinta-feira que a oposição poderia bloquear a votação do Orçamento de 2006 enquanto o processo de Dirceu não for concluído. O presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PTB-SP), disse que o STF não conhece as atribuições do órgão.
Sanches preferiu não analisar o resultado do julgamento, por dizer que não conhecia detalhes do recurso de Dirceu, mas disse que a polêmica é motivada por quem não conhece a Constituição ou quer criar conflito entre os poderes.
"Pode-se discutir se julgamento do STF foi ou não correto, mas não pode-se questionar se o STF pode interferir, o porque esse é o dever do tribunal."
Por Mauricio Stycer. Colaborou Leandro Fortes
Construída ao longo de mais de uma década à sombra do deputado federal Ricardo Izar (PTB-SP), a carreira do funcionário público Nicolau Kohle começa a ser iluminada pelos holofotes do Ministério Público e do governo. Sob investigação está precisamente a gestão de Kohle, entre 1997 e 2002, à frente da seção paulista do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), órgão do Ministério das Minas e Energia encarregado de fiscalizar a exploração de minérios no País. O Ministério Público Federal analisa, à luz da lei, o papel do servidor junto à chamada ¿máfia da areia¿, exploradores clandestinos que atuam na região do Vale do Paraíba, em São Paulo. A apuração desses fatos liga-se a uma outra, patrocinada pela própria autarquia, e encerrada com a conclusão de que o afilhado político de Izar transformou o DNPM num quintal com vistas à sua eleição ¿ fracassada ¿ para deputado estadual em 2002.
A investigação interna, realizada entre outubro de 2003 e fevereiro de 2004, levou ao pedido de destituição de Kohle do serviço público. A proposta foi acatada em 26 de julho de 2004 pela então ministra das Minas e Energia Dilma Rousseff, e publicada no Diário Oficial da União no dia seguinte. Ali se lê, à página 18 da seção 2, que Nicolau Kohle foi punido por infringir oito diferentes deveres e obrigações do servidor público, concluindo que sua demissão se dava por improbidade administrativa.
Há uma sutileza na punição. Kohle não podia ser exonerado do serviço público porque havia tomado essa atitude, por conta própria, em março de 2002, para disputar a eleição. Por isso, o ato da ministra Dilma informa que se trata de ¿conversão da exoneração em destituição¿. O significado disso é claro, como indica o artigo 137 da Lei 8.112, que rege os direitos e deveres dos funcionários públicos: ¿Não poderá retornar ao serviço público federal o servidor que for demitido ou destituído do cargo em comissão¿ por ter cometido atos de improbidade administrativa.
Casado com uma prima-irmã de Ricardo Izar, Kohle voltou a encontrar apoio do deputado menos de nove meses depois de sua destituição do serviço público. Na esteira da eleição de Izar para a presidência do Conselho de Ética da Câmara, ocorrida por unanimidade em 22 de março deste ano, Kohle foi mais uma vez nomeado para um emprego público, no cargo de assessor técnico adjunto do órgão. Uma flagrante irregularidade. Um ato impróprio especialmente para Izar, que, guindado à condição de juiz dos seus pares, tem tentado passar para a opinião pública que é tão inflexível com os deslizes éticos como um varão de Plutarco.
Nicolau Kohle afirma só ter trabalhado por dois meses, ¿no começo da crise¿, com o deputado Izar, no Conselho de Ética. Pode até não ter comparecido o tempo todo, mas, de fato, mostram documentos obtidos por CartaCapital, trabalhou por três meses, entre 18 de abril e 18 de julho. Seu número funcional (¿de ponto¿, no jargão da burocracia) era 117.678. Hoje, diz estar aposentado em Jacareí, interior de São Paulo. Na Secretaria do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, no entanto, Nicolau Kohle é tratado, ainda hoje, como um ¿assessor de fora¿ pelos funcionários, trazido para o Congresso por Izar. O nome dele consta da lista de contatos da secretaria e, ao ser procurada pela reportagem de CartaCapital, uma funcionária do órgão ligou de pronto para ele.
Leia entrevista do deputado José Dirceu ao jornal A Tribuna, de Santos (SP), publicada no domingo, dia 27
Entrevista: ¿Eu peço só justiça¿
Da Reportagem
Acusado de ser o mentor intelectual do mensalão e suspeito de envolvimento no escândalo do caixa 2 do PT, o deputado federal José Dirceu admitiu erros, disse que as alianças para a reeleição do presidente Luiz Ignácio Lula da Silva terão de ser repactuadas e ameaçou a oposição, afirmando que ela está sendo analisada pelo eleitorado e poderá pagar o preço político por ¿¿tentar desestabilizar¿¿ o Governo Federal. Em entrevista exclusiva para A Tribuna, na tarde de ontem, na casa do deputado estadual Fausto Figueira (PT), Dirceu deu mostras de que mudou seu comportamento. Aparentando uma paciência incomum, mesmo diante de perguntas constrangedoras, como a que comparou o ex-ministro a Paulo Maluf, recentemente libertado da cadeia, Dirceu afirmou que a leitura e o cinema ajudaram muito nesse período. Só para se ter uma idéia, em menos de seis meses, o deputado leu 15 livros, entre eles uma biografia de Fidel Castro.
A Tribuna ¿ A sua biografia está manchada definitivamente?
José Dirceu ¿ Não, de jeito nenhum. No caso Valdomiro Diniz não se provou nada contra mim. Nesse caso, agora, tenho certeza de que vou provar a minha inocência para o País.
AT ¿ Mas, centralizador como o senhor sempre foi, fica difícil acreditar que não tivesse conhecimento do caixa 2 no Diretório Nacional do PT...
Dirceu ¿ Eu deixei a presidência do PT em dezembro (de 2002) para não voltar mais. Talvez tenha sido um erro. Não acompanhei, não participei de nenhuma decisão, nem política, nem administrativa, da Executiva. Se eu tivesse participado, a sede nacional do PT em Brasília, em São Paulo, os funcionários, assessores e o País saberiam. Se eu tivesse participado assumiria (a culpa) como o Delúbio Soares assumiu.
AT ¿ É difícil acreditar que o Delúbio seja o único responsável...
Dirceu ¿ Não tenho responsabilidade, não vou assumir. Assumo erros políticos, mas isso quem tem que julgar é o PT e o eleitorado, não é a Câmara. A Câmara tem que julgar a quebra de decoro e eu não quebrei o decoro. Aliás, nem mandato de parlamentar eu exercia porque era ministro. Não cometi crime de responsabilidade. Na minha vida pessoal, profissional, não acharam nada, fizeram uma devassa. Então, não posso aceitar que me cassem. Vou continuar lutando até o fim da vida.
AT ¿ Nesse processo o senhor não cometeu nenhum equívoco?
Dirceu ¿ É evidente que vou ter de fazer uma reflexão maior sobre tudo o que aconteceu, sobre meus erros. Já disse que deveria ter saído do governo em 2004, mas não era o que a maioria da bancada nem o presidente queriam. Saí da presidência do PT e achei que para fortalecer a presidência do (José) Genoíno não devia participar, opiniar, acompanhar.
AT ¿ Ainda que não existam provas cabais, o senhor não acha que as evidências são muito fortes da existência do mensalão, por exemplo?
Dirceu ¿ Não há evidências do mensalão. Não há prova nenhuma, nem testemunhal, nem documental. O que há são repasses de recursos do PT para os partidos aliados. Nem o Ministério Público, nem a Polícia Federal, nem a CPI, nem o Conselho de Ética provaram. Pelo contrário, o Conselho de Ética propôs a cassação do (deputado federal) Roberto Jefferson (PTB/RJ) porque ele acusou a Câmara de mensalão e a CPI concluiu sem provar. Não tenho nada a ver com mensalão.
AT ¿ Então, o senhor tem algo em comum com o ex-governador Paulo Maluf, que sempre foi alvo de denúncias não-comprovadas. Só depois de décadas de atuação política é que ele foi preso...
Dirceu ¿ Eu tenho para apresentar ao País a minha história de 40 anos, sem nenhuma acusação, nenhuma mancha, sem nenhuma condenação. Não posso virar corrupto do dia para a noite, não existe isso.
AT ¿ Dá para antecipar que o senhor vai ser absolvido na próxima quarta-feira?
Dirceu ¿ Não, porque eu dependo da decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) e da evolução da situação política, mas já acredito que a Câmara está me ouvindo, está lendo a minha defesa. Cada deputado está meditando, quer dar um voto de consciência. A imensa maioria ainda está refletindo. O que eu peço só é justiça. Não quero misericórdia, clemência, nem privilégio.
AT ¿ Sua decisão de recorrer ao STF não representa uma tentativa de adiar o processo?
Dirceu ¿ Fui ao Supremo porque meus direitos foram violados. Nunca tentei adiar a votação no plenário. Quando alguém vê seus direitos ou prazos processuais violados, ou direito de defesa ou porque a ordem das testemunhas foi invertida, ou porque a Constituição não está sendo seguida, ele não está protelando o julgamento, está exigindo que o julgamento não seja anulado depois. Estou contribuindo para um bom encaminhamento e uma conclusão legal do meu processo. Quero ser investigado, mas não posso aceitar um julgamento político.
AT ¿ Mas essa demora não está criando uma crise entre os poderes?
Dirceu ¿ Não há crise entre os poderes. No fundo eles (a oposição) querem me cassar sem prova, querem me fuzilar politicamente. Há uma campanha política para me cassar. Não aceito pré-julgamento, tem que ser conforme a Constituição.
AT ¿ O senhor não teme ser acusado de atrasar os trabalhos do Congresso por conta da decisão da oposição de não votar o orçamento até que o impasse seja resolvido?
Dirceu ¿ A oposição já estava obstruindo o orçamento e o meu julgamento já está marcado para o dia 30. Quando fui ao Supremo reivindicar que o fórum do meu julgamento era o Supremo, porque eu era ministro e estava licenciado da Câmara, eu perdi. Esses mesmos que estão protestando fizeram festa, jogaram papel picado pra cima. Então, o Supremo pode tomar decisão só a favor deles. Isso tem um nome: ditadura.
AT ¿ Como a sua família reagiu às denúncias?
Dirceu ¿ Foi difícil. Meu filho foi muito atacado, mas ele se defendeu bem, teve apoio da associação dos prefeitos do Paraná. Agora, eu tenho uma filha de 15 e outra de 16 anos, é lógico que para as mães é mais difícil.
AT ¿ Nesse período o senhor conseguiu circular pelas ruas sem sofrer represálias?
Dirceu ¿ Nunca me abordaram. Sempre fui respeitado. Mesmo quando alguém vinha me pedir autógrafo, tirar foto e eu sentia que parte dos que estavam naquele ambiente tinha atitude de reprovação. Tive dez vezes mais apoio do que manifestações de reprovação.
AT ¿ O senhor concorda que os avanços sociais e políticos foram muito tímidos no Governo Lula?
Dirceu ¿ Pelo contrário, os avanços foram extraordinários. O balanço dos quatro anos do Governo Lula será muito positivo e nós vamos comparar índice por índice com o Governo Fernando Henrique. O País vai poder comparar e vamos ver que o Governo Lula foi o melhor desde a redemocratização.
AT ¿ Qual é a sua opinião a respeito do PSDB e do PFL?
Dirceu ¿ O deputado eleito pelo PSDB ou PFL tem a mesma legitimidade que eu. Estamos em uma democracia, temos de respeitá-los. Agora, é água e vinho, ainda que no caso do PSDB poderia ser vinho, mas geralmente dá vinagre.
Sex, 25 Nov - 21h38
Ex-presidentes do STF defendem interferência no caso Dirceu
Por Marcos de Moura e Souza e Natuza Nery
SÃO PAULO/Brasília (Reuters) - O Supremo Tribunal Federal (STF) tem competência para avaliar o caso do deputado José Dirceu (PT-SP) e não está interferindo indevidamente no poder Legislativo, como acusam alguns parlamentares, disseram nesta sexta-feira dois ex-presidentes da corte.
Sydney Sanches -- que presidiu o Tribunal durante a crise do governo do presidente Fernando Collor de Mello (1990-1992) -- e Maurício Corrêa -- penúltimo presidente da Casa -- concordam que pode até haver equívocos nos votos dos atuais ministros do STF sobre o recurso de Dirceu, mas dizem que não se pode discutir a legitimidade do tribunal de intervir no caso.
"O Supremo sempre tem admitido mandados de segurança de quem alega ter seus direitos violados. Isso não é interferência ilegítima, é cumprimento da Constituição", disse Sanches, por telefone, à Reuters.
Ele lembra que durante a gestão Collor, o STF aceitou julgar diversos mandados de deputados e também do próprio presidente e diz que não havia polêmica sobre eventual interferência de poderes. O STF tem agido assim, pelo menos, desde a promulgação da Constituição, em 1988.
Na época de Collor, segundo Sanches, o ex-ministro Paulo Brossard era um dos poucos que entendiam que o STF não podia aceitar mandados contra a Câmara e o Senado, sustentando que atos políticos deveriam ficar restritos às duas casas. "Mas ele sempre ficava vencido nessas decisões", disse.
"No fundo, o Supremo também tem uma missão política, não é uma instituição apática ao que ocorre na sociedade brasileira", afirmou Corrêa à Reuters.
"Não concordo com essa crítica (de interferência entre poderes) e não é o caso de fazer censura ao Supremo Tribunal Federal", acrescentou.
CRISE ENTRE PODERES
Na quarta-feira, o STF avaliou um mandado de segurança de Dirceu, no qual ele dizia que havia irregularidades no processo de cassação de seu mandato na Câmara dos Deputados. Cinco ministros votaram contra Dirceu.
Outros cinco aceitaram parcialmente a sua defesa -- o que levou à suspensão da sessão. A decisão final deve ser tomada somente na quarta-feira pelo ministro Sepúlveda Pertence, que não participou da sessão. O deputado -- que é apontado como um dos mentores do chamado mensalão -- alega que houve cerceamento da defesa já que o Conselho de Ética da Câmara ouviu testemunhas de acusação antes das de defesa, o que quebraria o rito processual.
Dirceu já havia recorrido outras vezes ao STF e chegou a conseguir o adiamento do processo na Câmara. Alguns deputados e senadores passaram então dizer que o Judiciário estava interferindo indevidamente na esfera do Legislativo.
"Estamos saindo de uma crise política e começando a entrar numa crise entre poderes", afirmou na sexta-feira o presidente da CPI dos Correios, o senador Delcídio Amaral (PT-MS).
Incomodado, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio, chegou a dizer na quinta-feira que a oposição poderia bloquear a votação do Orçamento de 2006 enquanto o processo de Dirceu não for concluído. O presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PTB-SP), disse que o STF não conhece as atribuições do órgão.
Sanches preferiu não analisar o resultado do julgamento, por dizer que não conhecia detalhes do recurso de Dirceu, mas disse que a polêmica é motivada por quem não conhece a Constituição ou quer criar conflito entre os poderes.
"Pode-se discutir se julgamento do STF foi ou não correto, mas não pode-se questionar se o STF pode interferir, o porque esse é o dever do tribunal."
Sábado, Novembro 26, 2005
Novos atos defendem mandato de Dirceu
O deputado José Dirceu participa a partir desta sexta de novos atos em defesa do seu mandato e da Constituição. Confira os atos programados:
· 25/11, Campo Grande ¿ Câmara Municipal, às 19h
· 26/11, Santos (SP) ¿ Câmara Municipal, às 10h
· 27/11, Olinda (PE) ¿ Câmara Municipal, às 17h
· 28/11, João Pessoa ¿ Sede da OAB, às 10h
Quinta-feira, Novembro 24, 2005
Ato em prol do Companheiro Zé Direcu, pela ética na política em defesa do PT!!!!!!!!
Olinda
27 de Novembro, domingo, 16hs
na Câmara Municipal de Olinda
Vamos lotar as ruas de vermelho!!!!!!
Dilvulguem
irformações (81) 9637 0140(Vivian)
8879 3310(Antonio Carlos)
Terça-feira, Novembro 22, 2005
Manifesto de apoio a Dirceu recebe 802 adesões
Trabalhadores denunciam ¿ação fascistóide¿ contra José Dirceu
Manifesto reúne mais de uma centena de sindicalistas, de várias centrais sindicais. Abaixo, a íntegra do documento:
¿Com base em alegações, ilações e mentiras do ex-deputado Roberto Jefferson, a direita reacionária e setores da mídia vêm tentando levar ao cadafalso o deputado federal, ex-presidente do Partido dos Trabalhadores e ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu. Na ânsia de macular sua honra e assaltar seu mandato, numa postura histérica e revanchista, buscam no tapetão o resultado que não conseguiram no campo de batalha, seja ele eleitoral ou social.
Montaram um verdadeiro tribunal de exceção, tentando transformar o virtual em real, o boato em fato. Na ânsia de atingirem seus propósitos, os inquisitores se arvoram donos da verdade, enquanto não passam de donos de canais, jornais e revistas, os novos censores que ditam o que devem ou não ser divulgado.
A campanha movida por essa elite mesquinha tem o inegável e indisfarçável objetivo de atingir o governo do presidente Lula, conforme manifestação preconceituosa e fascistóide de um dos mais proeminentes líderes da banda neoliberal, ¿uma raça a ser extirpada da vida pública¿.
Seis meses após ter sido veiculado, o suposto esquema de compra de votos de parlamentares pelo governo, o ¿mensalão¿, acabou ruindo, soterrado pela total inexistência de provas. A única verdade que ficou provada sobre o caso foi a falsidade de Roberto Jefferson, cassado justamente porque mentiu sobre a sua existência e quebrou o decoro parlamentar. Sendo assim como poderia a mesma Casa que cassou um deputado por acusação caluniosa expulsar a principal vítima das calúnias de quem foi condenado exatamente por suas mentiras?
A inexistência de provas empurrou seus denunciantes a apelidar de ¿julgamento político¿ um processo inquisitório que agride as garantias constitucionais, rebaixa e desmoraliza o parlamento à condição de ventríloquo da mídia, a papel carbono dos interesses mais mesquinhos, antinacionais e antipopulares.
O exemplo recente da cassação ¿política¿ do deputado Íbsen Pinheiro dá uma pequena amostra de até onde pode ser injusta uma decisão tomada apenas e tão somente para satisfazer o ódio destilado pelas publicações privadas, que querem ditar à ¿opinião pública¿ o certo e o errado.
Manifestamos neste momento singular da vida nacional a mais irrestrita solidariedade ao companheiro José Dirceu, convictos de que sua trajetória de combatente pela liberdade, democracia e justiça social se confunde com a história de luta pela vitória do Brasil e da classe trabalhadora. Que o Congresso Nacional se eleve à estatura deste filho e não se apequene como as mariposas ao deslumbramento fugaz - e mortal - dos holofotes.¿
João Antonio Felicio - Presidente da CUT
Antonio Neto - Presidente da CGTB e vice da FSM
Wagner Gomes - Executiva Nacional CUT
Ubiraci Dantas de Oliveira - Vice-presidente
da CGTB
Artur Henrique da Silva Santos - Executiva Nacional CUT
Oswaldo Lourenço - Executiva Nacional CGTB e presidente do Sindicato dos Aposentados e Pensionistas, Ferroviários/SP
Lucia Regina dos Santos Reis ¿ Executiva Nacional CUT
Nélio Botelho - 2º Vice-presidente Movimento União Brasil Caminhoneiro
Jacy Afonso de Melo - Executiva Nacional CUT
Carlos Alberto de Oliveira Pereira - Executiva Nacional CGTB
Ari Aloraldo do Nascimento - Executiva
Nacional CUT
Edgar de Paula Viana - Executiva Nacional da CGTB e presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil do DF
João Vaccari Neto - Executiva Nacional CUT
Edson Severiano da Fonseca - Presidente
da CGTB-RN
José Celestino Lourenço - Executiva Nacional CUT
Marilton José Viana Cavalcanti - Pres. CGTB-PE
Antonio Carlos Spis - Executiva Nacional CUT
Lúcia Maria Rodrigues Pimentel - Secretária de Relações Internacionais da CGTB
Gilda Almeida de Souza - Executiva Nacional CUT
Lindolfo dos Santos - Tesoureiro da CGTB
Denise Motta Dau - Executiva Nacional CUT
Paulo Sabóia - Presidente CGTB-SP e tesoureiro SINDPD-SP
Maria Ednalva de Lima - Executiva Nacional CUT
Heraldo Gomes de Andrade - Secretário-geral da CGTB-SP e presidente do Sindicato dos Caminhoneiros de Santos
Elisangela Santos Araujo - Executiva Nacional CUT
Genildo Leandro da Costa - CGTB-RJ
Manoel Messias Melo - Executiva Nacional CUT
Edson Areias - CONTMAF
Pascoal Carneiro - Executiva Nacional CUT
Gerardo Raolino Filho - Secretário geral do Sindicato dos Rodoviários-CE
Carlos Rogério Nunes - Executiva Nacional CUT
Pérsio Dutra - Diretor Nacional de Finanças do DIESAT e diretor do SINPD-SP
Francisco Alano - Executiva Nacional CUT
Sebastião Soares da Silva - Vice-presidente do Sindicato Nacional dos Servidores Públicos e vice-presidente da CSPB
Gilson Luiz Reis - Executiva Nacional CUT
Manoel Clemente - Sindicato dos Músicos de Araraquara e CGTB-SP
Jayme Ramos - CUT/RJ
Alfredo de Oliveira Neto - CGTB-SP
José Antonio Garcia Lima - CUT/RJ
João Batista - SINDPD-SP
Ferreira Pinto - SINTSAMA/RJ
José Félix Ramos - Presidente Sindicatos dos Empregados em Hotéis de Salvador
Daniel de Melo Nunes - SINTSAMA/RJ
Ricardo Latge - Presidente da Associação dos Profissionais Geólogos-RJ
Eliane Delvito Teixeira - SINTSAMA/RJ
Antonio Ribeiro - Presidente do Sindicatos dos Trabalhadores em Transportes Alternativos-RJ
Gilson Soares de Brito - SINTSAMA/RJ
Humberto Moreira - CGTB-BA
Albérico Sommer de Silva - SINTSAMA/RJ
Antônio Caccia - CGTB-PR
Jorge Menezes Campos - SINTSAMA/RJ
Térsio Pedrazolli - Secretário Jurídico CGTB-SP
Luiz Domingues Gomes - SINTSAMA/RJ
Enilda Virgínia ¿ Presidente do Sindicato dos Empregados Administração Portuária de Recife
Jorge Maia - SINTSAMA/RJ
Paulo Sérgio Vieira - SINTSAMA/RJ
Gilson Freire - SINTSAMA/RJ
Sérgio Alves de Alencar - SINTSAMA/RJ
Ubirajara Gomes de Aguiar - SINTSAMA/RJ
Alexandre Faria - SINTSAMA/RJ
Ronaldo Rosa Soares - SINTSAMA/RJ
Dayer Gaglianone dos Santos - SINTSAMA/RJ
Fábio Santos de Moraes - APEOESP
Fábio Santos Silva - APEOESP
Francisco de Assis Ferreira - APEOESP
Silvia Pereira - APEOESP
Suely Fátima de Oliveira - APEOESP
Telma Aparecida Andrade Victor - APEOESP
Rogério Gianninni - Sind. Psicólogos SP
Luiz Cláudio Marcolino - Bancários de SP
José Lopez Feijoó - Metalúrgicos do ABC
Francisco França - Vereador Sorocaba
Izidio de Brito Correia - Metalúrgicos de Sorocaba
Marcília Cabral Santos Matias - Municipais de SP
Paula Francinete Costa Leite - Municipais de SP
Aparecido Sério da Silva - Afubesp
Nilson Costa da Silva - Metalúrgicos de Taubaté
Valmir Marques da Silva - Metalúrgicos de Taubaté
Angelo D´Agostini Junior - Sindsaude/SP
Cláudio da Silva Gomes - FSCM-CUT
Carlos Augusto Cesar - Químicos ABC
Waldemar Pires de Oliveira - Coticom-CUT
Paulo Lage - Químicos ABC
Francisca Trajano - Costureiras ABC
Maria Aparecida Amaral G. Faria - Sindsaude
Célia Regina Costa - Sindsaude/SP
Neusa Santana Alves ¿ Sinteps
Carlos Ramiro de Castro - APEOESP
Edílson de Paula - CUT/SP
Djalma de Oliveira - Sinergia
Gentil Teixeira Freitas - Sinergia
Wagner de Castro - Bancários do ABC
Vagner Freitas - CNB-CUT
Lucinei Paes de Lima - FAF e CUT/SP
Nivaldo de Siqueira Gomes - FAF-CUT Rurais
Nilson Camargo Coutinho - Metalúrgicos de Taubaté
Carlos Alberto Alves - Sinergia
Valmir Marques da Silva - Metalúrgicos de Taubaté
Ivone Maria da Silva - Bancários de SP
Gerson Florindo de Souza - Bancários de Taubaté
Adi Santos Lima - FEM-CUT
Luiz Antonio da Silva - Bancários de Taubaté
Cássio Teixeira - Afubesp
Juvândia Moreira Leite - Bancários de SP
Carlos Tadeu Vilanova - Sinsexpro
José Reinaldo Martins - Afubesp
Daniel Reis - Bancários de SP
Ariovaldo de Camargo - CUT/SP
Marcos Tresmondi - CUT
Segunda-feira, Novembro 21, 2005
21/11/2005 - Defender José Dirceu é defender o PT
A cassação de um parlamentar é uma decisão séria. Ela extingue um mandato que foi delegado pelo voto popular, tornando um representante do povo inelegível por oito anos. O processo precisa respeitar o direito democrático de defesa e ter provas concretas para não repetir injustiças, como foi o caso do ex-deputado Ibsen Pinheiro, que vários anos após ser cassado teve sua inocência provada.
A decisão do Conselho de Ética da Câmara de recomendar a cassação de José Dirceu fundamentou-se em um relatório que é um flagrante desrespeito à democracia e à ética.
O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) omitiu informações, tomou como verdade acusações irresponsáveis e fundamentou seu voto em testemunhos de desafetos do deputado petista e não apresentou nenhuma prova que configurasse ato incompatível com o decoro parlamentar. Delgado respaldou seu voto em ¿fatos¿ e ¿indícios¿ que não se sustentam e que caracterizam uma clara perseguição política.
O relator deixa claro de que lado está ao utilizar o relatório para atacar o PT e tentar desqualificar um partido que tem 25 anos de luta pela democracia e pela justiça social. O PT construiu sua trajetória nos movimentos populares, intelectuais, estudantis e operários. O partido está enfrentando essa situação crítica de forma corajosa e digna, procedendo às mudanças necessárias para superar seus erros.
Delgado preferiu esquecer que a história do PT e do deputado José Dirceu não se ligam aos ¿caixas-dois¿ e às denúncias de corrupção. O relator preferiu o caminho fácil de atender os interesses políticos do PSDB e PFL em atacar um símbolo da luta contra o regime militar, ex-presidente do PT e ex-ministro do governo Lula, do que respeitar o princípio democrático de que ninguém deve ser condenado sem provas.
O objetivo da oposição não é apurar a corrupção, que eles praticaram em larga escala quando governaram o país, mas sim derrotar o presidente Lula nas eleições de 2006 para retomar as políticas neoliberais, que só trouxeram miséria, desemprego e destruíram o Estado brasileiro.
O que está em jogo na tentativa de cassação do deputado petista, mais do que lhe retirar o mandato, é a tentativa de desgastar e impedir a continuidade de um governo que está mudando o Brasil.
Infelizmente, os ex-petistas Orlando Fantazzini (SP) e Chico Alencar (RJ), do PSOL, estão se prestando a um triste papel no conselho ao fazer o mesmo jogo da direita de atacar sistematicamente o PT e não reconhecer as realizações do governo Lula no combate à corrupção, no controle social do Estado, na gestão transparente e na modernização da máquina pública.
Desde o início do governo Lula a Polícia Federal vem desmontando esquemas de fraudes e golpes em várias regiões do país. As operações demonstram o empenho de nosso governo em combater o crime organizado, a corrupção e acabar com a impunidade.
Em dois anos, a Polícia Federal realizou 77 operações, que resultaram na prisão de 1360 pessoas. Dessas, 46 foram operações especiais de combate à corrupção, onde foram presas 989 pessoas, entre elas políticos, juízes, empresários, 120 policiais federais e rodoviários, e 464 servidores públicos. Em apenas oito operações, a Polícia Federal combateu fraudes em torno de R$ 2,7 bilhões contra a administração pública.
O governo tem realizado outras ações inéditas no país, como a criação do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional, para impedir a lavagem de dinheiro que, em pouco mais de um ano de funcionamento, já rastreou e realizou o bloqueio de mais de US$ 300 milhões desviados para o exterior.
Para combater a corrupção na administração pública, o governo Lula criou a Controladoria-Geral da União (CGU), que já realizou cerca de seis mil auditorias em órgãos federais com retorno potencial de mais de R$ 700 milhões para os cofres públicos.
O governo Lula também tornou obrigatório o pregão eletrônico nas compras federais, o que torna mais transparente e reduz em cerca de 30% os gastos pelo aumento da concorrência entre os fornecedores e pela redução das fraudes e desvios.
Para incentivar a participação da sociedade civil no controle das ações dos poderes públicos, o governo criou o Conselho de Transparência Pública e Combate à Corrupção, composto por representantes da sociedade e do Estado.
Outra ação importante foi a criação do Portal da Transparência (www.portaldatransparencia.gov.br) para que o cidadão possa acompanhar os recursos repassados aos estados e municípios.
Com a cassação de José Dirceu, o PSDB e o PFL querem desqualificar com objetivos eleitorais as realizações do governo Lula, em que o deputado foi um importante articulador no período em que foi ministro-chefe da Casa Civil.
A conquista da democracia no Brasil foi uma dura luta em que muitos morreram e milhares foram perseguidos e injustiçados, mas alguns ainda continuam nostálgicos do período em que as conveniências políticas do momento estavam acima da lei e da justiça. Por isso, não posso assumir o discurso fácil de ser favorável a uma cassação injusta para agradar setores da mídia e a direita que já julgaram e condenaram o deputado José Dirceu.
Ângela Guadagnin (PT-SP) é deputada federal e integrante do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados.
Ângela Guadagnin
21/11/2005
18 de dezembro: a Bolívia em hora crucial
Por: Emir Sader
21/11/2005
Defender José Dirceu é defender o PT
Por: Ângela Guadagnin
Brasília, 21 de novembro de 2005.
NOTA À IMPRENSA
Ao anunciar que irá propor meu indiciamento, o relator da CPMI dos Correios, Osmar Serraglio, revela uma perseguição política. De forma precipitada, sem considerar as provas em contrário, ele propôs que eu fosse submetido a processo disciplinar porque teriam me apontado como avalista dos empréstimos feitos pelo senhor Marcos Valério. Agora, ele afirma que os empréstimos não existem e irá indiciar o ex-presidente do PT José Genoino por falsidade ideológica por causa disso.
Essa é uma entre várias contradições desse processo.
Sem apresentar uma única evidência concreta, o deputado me acusa de chefiar um esquema para comprar deputados, mas o relator da CPMI da Compra de Votos, Ibrahim Abi-Ackel, concluiu que não existem provas de que parlamentares receberam dinheiro para votar a favor do governo.
O relator da CMPI dos Correois tirou conclusões precipitadas, não conseguiu sustentar as acusações e agora quer encobrir o fracasso das investigações levantando novas suposições infundadas.
Deputado Federal José Dirceu (PT-SP)
MILITÂNCIA PETISTA GARANTE BRILHO
A ATO DE APOIO A JOZÉ DIRCEU
Mais de 300 pessoas disputaram espaço para participar do ato público de apoio ao deputado federal José Dirceu, realizado na manhã deste sábado (19/11) em Belo Horizonte, no auditório da Assembléia Legislativa de Minas Gerais. No espaço capacitado para apenas 130 pessoas assentadas, a animação da militância petista deu o tom à manifestação, organizada por lideranças políticas de Minas, contra o linchamento político a que o parlamentar vem sendo submetido pelas forças políticas de oposição. Palavras de ordem e aplausos animados garantiram clima festivo ao evento.
"O apoio que vem recebendo comprova que o deputado é companheiro de sonhos, lutas e muitas conquistas já realizadas e tantas outras, que ainda virão", enfatizou o deputado Roberto Carvalho. Já o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, lembrou que a direita brasileira, há 50 anos, reage contra todos os governos que se declaram de esquerda e desenvolvem políticas públicas transformadoras na direção de um país "mais justo e fraterno".
Dirceu reiterou que está sob a ameaça de ter seu mandato cassado sem provas de qualquer acusação e reclamou da oposição: "querem me linchar políticamente, de forma ilegal, sem provar que cometi qualquer crime, mas sabemos que toda esta ação tem como objetivo paralisar o Governo Lula", frisou o parlamentar. Já o presidente do diretório do PT estadual, Nilmário Miranda, reiterou que o alvo das denúncias infundadas contra Dirceu é a eleição presidencial do ano que vem. "O que está em jogo é reeleição, querem impedir o presidente Lula de disputar a reeleição", disse Mitranda, ex-ministro da titular da Secretaria Nacional de Direitos Humanos.
O secretário nacional de organização do PT, Romênio Pereira, participou da mesa, que ainda abrigou diversos deputados, prefeitos e vereadores, de vários partidos, além do PT, como PTN, PC do B, PL. Após a manifestação, Dirceu concedeu entrevista coletiva à imprensa e se dirigiu a Contagem, onde novas manifestações o aguardavam, após um almoço com lideranças em restaurante da cidade.
Gabinete Deputado Roberto Carvalho - 2108-5434
A resistência de Dirceu * Jornal do Brasil
MAURO SANTAYA NA
O deputado José Dirceu, que defende seu mandato com bravura, talvez não tenha antes compreendido que, no regime presidencialista, não há primeiros-ministros. Os governos militares, por sua singularidade, os tiveram - e o exemplo mais notável é o de Delfim -, mas são estorvos indesejáveis no presidencialismo. O chefe de governo, por mais que dissimule o sentimento, não pode parecer tutelado, ainda que admire e respeite o colaborador. Mais grave é a reação dos outros ministros, que - de acordo com as normas constitucionais - só devem obedecer ao presidente. Fosse efetiva ou não a proeminência de José Dirceu, todos o viam como uma espécie de premiê. Havia a idéia de que o presidente reinava, e o então ministro governava. Essa percepção, real ou imaginária, trouxe, como é natural, ciúmes e mal-estar no conjunto do governo e fora dele. Antes, nenhum presidente civil admitira ministros maiores do que os outros. Juscelino não titubeou em demitir Lucas Lopes, o mais operoso colaborador, do Ministério da Fazenda, a fim de manter a autoridade. No presidencialismo todos os ministros devem ser iguais.
Acrescente-se que, desde o primeiro momento, houve o desencontro ideológico entre o ativo militante José Dirceu e o ministro da Fazenda, chefe formal da equipe econômica. O chefe da Casa Civil aceitara, em princípio, como outros membros históricos do PT, o compromisso de "respeitar os contratos" firmados pelo governo anterior. Os tecnocratas, nutridos pelos interesses de Wall Street, que criaram normas tidas como sagradas no manuseio das finanças e da economia, fazem da política econômica um bicho de sete cabeças. Só eles são os senhores das carícias que domem a hidra do mercado, já que ninguém tem a força de Hércules para liquidá-la. Mas, tanto ele, quanto centenas de outros militantes históricos do PT, acreditavam que, transpostos os riscos mais graves da transição, o governo viesse a afrouxar o arrocho e permitisse, com a redução dos juros, a retomada mais ousada do desenvolvimento. Quando houve certa redução da taxa, a resposta positiva foi imediata - mas, em seguida, voltou a subir.
O fato é que o mercado não é a hidra de Lerna. Sobre a arrogância dos economistas acadêmicos há a sentença definitiva de Galbraith: se os economistas fossem infalíveis, todos seriam ricos. O melhor ministro da economia da História foi José, do Egito, que soube combinar a difícil castidade com o sonho. Como tudo, na vida, a administração da economia exige bom senso, e talvez mais imaginação do que as equações clássicas da econometria. Quando surgiram as denúncias de escândalo, houve clara intenção de atingir Dirceu, a partir da entrevista de Roberto Jefferson. Era preciso bater no pilar mais forte, a fim de abalar a estrutura do governo. Dirceu havia cometido o erro de não investigar a fundo o que fizera Waldomiro Diniz e, com isso, deixou a guarda aberta.
É preciso reconhecer a bravura com a qual se vem defendendo o ex-ministro. Wilson Figueiredo lembrou-me, e bem, o caso de George Dimitrov, o líder comunista búlgaro, que se defendeu, diante de um tribunal nazista, da acusação de haver incendiado o Reichstag, em 1933, e conseguiu, com sua obstinação, provar a inocência, salvando-se de uma condenação já decidida.
O ex-ministro pode ter sido vaidoso, e dado a impressão de que era quem mandava no governo. Criou adversários ressentidos, na administração e fora dela. As acusações de que é alvo não foram devidamente comprovadas, e ele está ganhando a batalha política. Poderia ter renunciado, como outros, que hoje o acusam, fizeram, e garantir a reeleição, mas não o fez. Qualquer que venha a ser o resultado do confronto, Dirceu merece respeito pela disposição de luta. O que importa, nas circunstâncias em que está vivendo, é resistir. Todos podemos ser vencidos pelos inimigos, mas sem a desonra da capitulação. E, pelo que parece, se cair agora, Dirceu cairá de pé, para levantar-se depois.
[21/NOV/2005]
Sábado, Novembro 19, 2005
19/11/2005 - 17h49m
Dirceu diz que governo de Lula está sendo sabotado pela oposição
Globo Minas
BELO HORIZONTE - O deputado federal e ex-ministro José Dirceu (PT-SP) afirmou, neste sábado, em Belo Horizonte, que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está sendo sabotado pela oposição. O parlamentar recebeu, na Assembléia Legislativa de Minas Gerais, o apoio de petistas mineiros no enfrentamento do processo de cassação.
O prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, estava entre os políticos presentes no encontro e defendeu o deputado federal. De acordo com o chefe do Executivo da capital, José Dirceu está sofrendo um linchamento político.
- Zé Dirceu sabe fazer disputa. Há 35 anos ou mais, ele faz essa disputa na sua vida, ele faz essa disputa no cotidiano, ele ajuda a construir a soberania deste país com seu exemplo, com sua trajetória de luta, afirmou o prefeito da capital.
Em seu discurso, o deputado afirmou que não está tendo o direito de se defender.
- Tem que ter defesa, contraditório, publicidade, devido processo legal, a presunção da inocência e do ônus da prova cabe ao acusador. E todo mundo é inocente até que se prove o contrário ou até o julgamento definitivo, transitado e julgado na Justiça, disse José Dirceu.
Em entrevista coletiva, Dirceu garantiu que terá o apoio de outros partidos, além do PT, na votação do processo de cassação.
ATO EM DEFESA DO DEPUTADO JOSÉ DIRCEU
DATA: 22/11 - TERÇA-FEIRA
LOCAL: AUDITÓRIO DA CNTI
(Av W3 Norte, Qda. 505)
HORÁRIO: 19H30
INFORMAÇÕES: Benildes (61) 9216-1533 e no Gabinete Dep. Chico Vigilante 3348-8110
Nuvens passageiras? *JB Hildegard Angel
Como a política é feita de nuvens, o céu começa a ficar menos carregado para o deputado José Dirceu. Ele tem conseguido reverter resistências importantes. Deputados que votariam por sua cassação, já reconsideram suas posições. E não são apenas os políticos, há uma reversão também na opinião pública, segundo pesquisa encomendada pelo Palácio do Planalto...
José Dirceu está conseguindo fazer uma movimentação incrível, inacreditável mesmo. Ontem, aqui no Rio, na Universidade Cândido Mendes, havia gregos e troianos, o top da intelectualidade, manifestando seu apreço pelo deputado. O que impressiona, inclusive aos demais deputados, é a hombridade de Dirceu, sua disposição para a luta. Diferentemente de outros possíveis ''cassáveis'', que encenam doenças e outros fingimentos para fugirem às CPIs, o deputado, se cair, será de pé...
José Dirceu começa pelo Rio peregrinação -* O Dia
Rio - Além de usar todas as armas jurídicas possíveis para tentar evitar sua cassação, o deputado José Dirceu (PT-SP) iniciou, ontem, peregrinação por quatro capitais, em atos de solidariedade. O primeiro foi ontem no Rio, na Universidade Candido Mendes, e reuniu petistas, sindicalistas, militantes do PCdoB e artistas. Hoje, o ato será em São Paulo, amanhã, em Belo Horizonte e segunda-feira, em Brasília.
Dirceu voltou a se valer do discurso que vem sendo usado por membros do PT nas últimas semanas, de que a intenção da oposição nas CPIs no Congresso é inviabilizar o Governo do presidente Lula. ¿Até agora não provaram nada¿. O argumento foi usado por todos os que falaram no ato. Dirceu, porém, disse que, mesmo se for cassado, vai lutar até o fim para continuar com o projeto político do PT e do Governo Lula. ¿Qualquer que seja o resultado vou continuar sendo militante político¿.
Quarta-feira, Novembro 09, 2005
Leia entrevista de Dirceu ao Diário da Manhã - 5
O jornal ¿Diário da Manhã¿, de Goiânia, publicou hoje entrevista com o deputado José Dirceu. Leia, a seguir, parte do material publicado:
Análise da Notícia
Cassação política é aberração jurídica
A luta jurídica do deputado federal José Dirceu é forte e consistente. Seu defensor maneja bem a peça contestação e recursos. Sabe defender. E olha que o processo judicial ainda nem existe... Até agora trata-se de questão administrativa, interna corporis, que não chegou no Judiciário em sua necessária apreciação da matéria de fato. Apenas as condições da ação, legitimidade e direito de defesa são alegados.
Dirceu é acusado de ser o mentor do esquema de distribuição de dinheiro a deputados de partidos aliados em troca de apoio ao governo. Mas até agora não comprovaram a existência do mensalão, apesar de ser patente sua existência.
Ocorre que na Justiça impera o princípio da verdade real. Em outras palavras: o que não se prova nos autos não pode estar no mundo do direito. A oposição e mesmo as CPIs precisavam comprovar primeiro a existência de mensalão antes de condenar.
Ocorre um fato kafkaniano: o réu pode ser condenado antes da constatação do crime. Seria o mesmo que levar alguém ao Tribunal do Júri antes de encontrar cadáver. A trapalhada dos deputados da CPI parece revelar infeliz incompetência: os parlamentares, coitados, não sabem o que fazem, não encontram provas e se degladiam para aparecer. Podem até cassar o mandato de Dirceu. Mas tendem a se desmoralizar no Supremo Tribunal Federal, que não condena sem provas.
Chega-se à seguinte conclusão: o Legislativo não sabe o que é CPI, também não sabe fazer leis e - pior - comete injustiças. O certo seria reunir provas e instrumentalizar o Ministério Público. Mas não: preferem realizar uma anomalia jurídica permitida no País. A tal ¿cassação política¿ é teratológica, pois diverge do espírito das leis. Soa mais como vingança, algo abandonado pelo processo ainda no tempo das actions legis do Direito Romano praticado há dois mil anos. (W.C.)
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Leia entrevista de Dirceu ao Diário da Manhã - 4
O jornal ¿Diário da Manhã¿, de Goiânia, publicou hoje entrevista com o deputado José Dirceu. Leia, a seguir, parte da entrevista:
Tempo de violência verbal
Ex-ministro afirma que oposição usa linguajar de sarjeta, analisa chances do PT nas eleições de 2006, defende absolvição de Sandro Mabel e diz que único compromisso que tem para o futuro é escrever livro e aprender inglês
Ulisses Aesse
Editor de Reportagem
Welliton Carlos
Da editoria de Economia
Neste trecho da entrevista, deputado José Dirceu (PT) afirma que o linguajar da oposição é de sarjeta. Diz ainda que a política exterior de Lula é bem melhor que a desenvolvida pelo ex-presidente FHC. Deixa claro que não abandona a vida pública caso ocorra a cassação de direitos políticos. Analisa também o quadro eleitoral para a disputa de 2006.
DM ¿ Pretende abandonar a vida pública?
Dirceu ¿ De jeito algum.
DM ¿ O PT foi rigoroso com Delúbio Soares?
Dirceu ¿ Votei pela sua suspensão, por três anos, e pela revisão depois, a partir da investigação de todo processo. Não foi o que entendeu a maioria do diretório. Nós éramos 16 que pedimos assim, três abstenções e faltaram mais de 20 membros do diretório nesse dia. Creio que uma grande parte desse grupo não queria votar a expulsão do Delúbio Soares. Acredito que agora está consumado. Ele está expulso. Não é mais filiado do PT. Vai reorganizar a sua vida.
DM ¿ Mas acha justo?
Dirceu ¿ Creio que foi a decisão da maioria. Partido político tem democracia e tem que acatar as decisões.
DM ¿ Onde o PT está errando e onde o governo Lula erra?
Dirceu ¿ O governo Lula acertou na estabilidade, no crescimento econômico, no crescimento da renda, no crescimento do emprego, do avanço dos programas sociais. Acertou em retomar o papel de fomento, de desenvolvimento. Acertou nos avanços efetuados na área de educação e saúde, na política externa, na integração da América do Sul. É um governo que tem um saldo positivo. Agora, acho que cometemos erros que foram prejudiciais ao governo e PT. Temos saídas de dezenas de dirigentes. Não demos um papel maior, desde o começo, ao PMDB.
DM ¿ Os petistas que saíram não eram governo?
Dirceu ¿ Uma parcela importante do PT nunca assumiu o governo, sempre fez oposição. Faltou por parte de setores da esquerda do movimento social uma compreensão maior da importância e do significado do governo Lula.
DM ¿ Qual será a linha de defesa do senhor?
Dirceu ¿ Acho que a principal questão que o País está vendo é uma tentativa de me banir da vida política, através de um processo que não tive direito de defesa. É evidentemente uma coisa inaceitável, violência, violação de meus direitos individuais como cidadão. Vou lutar para anular este processo. Vou continuar lutando! Tenho que provar minha inocência porque me obrigaram a isso, pois fizeram a inversão do ônus da prova. Agora, sou eu que tenho que provar que sou inocente! A oposição está caminhando de maneira acelerada para uma radicalização da vida política no Brasil. Eles querem levar a uma radicalização. O ódio, a forma como estão fazendo política, a violência verbal deles é absurda. Só antecede a violência de fato, porque todas as vezes na história do Brasil em que vivemos períodos com grau de violência verbal e de violação das normas democráticas tivemos depois períodos de violência. Infelizmente estamos assistindo tudo isso de novo.
DM ¿ Acha que isso vai acontecer sempre?
Dirceu ¿ Não. A sociedade brasileira vai repudiar isso. Isso é vergonhoso. Por exemplo, porque o Eduardo Azeredo (PSDB) não pode ser investigado, não pode ser processado pelo Conselho de Ética e não pode ter seu mandato cassado? Parlamentares do PSDB não podem ser processados? Então, são dois pesos e duas medidas. O PT pode ser investigado, mas não pode investigar o PSDB. Pode-se investigar o governo do presidente Lula, mas não se pode investigar o governo do FHC. Então, na verdade, o PSDB também assumiu uma hipocrisia total. Está provado porque os documentos estão aí mostrando que havia esse esquema em 1998, no governo FHC.
DM ¿ Qual é o principal malefício deixado por FHC?
Dirceu ¿ Creio que foi a dívida interna. O desmonte do aparelho do Estado, o processo de endividamento externo, a crise energética e o baixíssimo crescimento econômico aliado ao desemprego e à desorganização, inclusive, de alguns ministérios estratégicos para o País.
DM ¿ O Brasil está no caminho certo?
Dirceu ¿ Eu acredito que o País precisa de mais investimentos em educação e infra-estrutura. Precisa melhorar também sua estrutura tributária. É necessário ainda uma política de juros menores, do alongamento da dívida interna; precisamos ter juros mais altos a longo prazo, e mais baixo a curto prazo. É preciso criar um mercado para títulos da dívida interna que viabilize uma redução dos serviços, porque o País faz um sacrifício enorme para pagar isso. Retira R$ 80,100 bilhões dos investimentos da poupança, do consumo, das famílias, dos cidadãos, para pagar serviços da dívida interna desfrutados por uma minoria do País. Isso é um processo de concentração de renda... E o País precisa dessa reforma política aDMinistrativa; então, temos desafios, precisamos de mudanças na economia, precisamos avançar na política industrial e de inovação tecnológica.
DM ¿ Por que o presidente não mexe, então, na legislação tributária?
Dirceu ¿ No Congresso há muita resistência. Na sociedade também a mudanças na estrutura tributária é muito difícil de ser aceita de imediato. Não é fácil o governo, o Estado brasileiro, abrir mão da arrecadação que tem hoje da receita, exatamente por causa do problema da dívida interna, do rombo da Previdência. Temos que reduzir pela metade, nos próximos dois, três anos, o déficit da Previdência.
DM ¿ O Brasil é um País de corruptos?
Dirceu ¿ Acredito que a corrupção exista tanto na empresa privada como nas organizações não-governamentais, como também no governo, no Estado brasileiro. É preciso ser combatido, é preciso criar mecanismos de controle, fiscalização e repressão. Por isso que se melhorou o combate à lavagem de dinheiro.
DM ¿ Bush veio reforçar Lula?
Dirceu ¿ Não, acho que os Estados Unidos sabem da importância que o Brasil tem na América do Sul e Latina. O Brasil é um dos maiores países do mundo, uma das maiores economias, uma nação, uma verdadeira civilização.
DM ¿ Mas a visita foi ao presidente do Brasil ou ao País?
Dirceu ¿ Acho que ao Brasil.
DM ¿ Bush é repudiado no mundo inteiro. Como um ex-guerrilheiro vê as relações do presidente americano com o Brasil?
Dirceu ¿ Isso é natural. Você não escolhe com quem mantém relações políticas, não sabe qual será o interlocutor eleito que representa um partido ou govenro. Você tem que manter a relação num certo padrão e nos termos que estão estabelecidos pelas regras da diplomacia e do direito internacional.
DM ¿ FHC não recebeu a mesma consideração.
Dirceu ¿ Acredito que há agora uma relação melhor, mais elevada entre o Lula e o Bush, entre Brasil e EUA.
DM ¿ FHC se preocupava com política internacional?
Dirceu ¿ O presidente Fernando Henrique Cardoso nunca deu importância ao Mercosul, e nem deu importância para uma agenda de integração econômica, de infra-estrutura e energia da América do Sul. Isso é uma política do PT, do presidente Lula. Tem raízes também da política externa do Brasil em outros momentos históricos, não vou negar isso. O Brasil teve operações americanas com Juscelino Kubitschek, no pragmatismo responsável do governo Geisel. Não vou negar que faz parte também da tradição do Itamaraty, mas não do governo FHC. Esse governo não tinha a presença e liderança que temos hoje no mundo. Isso é inegável, ainda que os tucanos façam tudo para esconder!
DM ¿ Vai ser candidato?
Dirceu ¿ Vou resolver em maio do ano que vem.
DM ¿ Mesmo sendo absolvido não tem certeza se vai ser candidato?
Dirceu ¿ Não tenho.
DM ¿ Por quê?
Dirceu ¿ Por que quero decidir isso em maio.
DM ¿ Não é porque as acusações deixaram ressentimento no senhor?
Dirceu ¿ Não, deixei de ser deputado uma vez. Tenho dois convite para ir aos Estados Unidos estudar e vou decidir isso. Estou concentrado em minha defesa e na luta pela absolvição no dia 23, em plenário. Fora isso não tenho plano nenhum, não decidi nada ainda.
DM ¿ Parece que tem uma boa ligação com Goiás...
Dirceu ¿ Tenho, acompanho sempre a política goiana. Tenho amigos e também existe a proximidade com Brasília, fora a família da minha mulher, que é de Jataí. Minha sogra, Luzia Garcia Andrade, é pintora.
DM ¿ Mas tem possibilidades de ocorrer absolvição?
Dirceu ¿ Tenho o direito de ser absolvido; se eu não tiver o direito de ser absolvido, então, não tem mais democracia no Brasil.
DM ¿ A oposição terá outro foco se for absolvido?
Dirceu ¿ Ela colocou todo mundo na alça de mira. Eles não respeitam nada. Não têm respeito nem pela figura do presidente nem pela instituição da Presidência da República. Hoje, o linguajar da oposição é o linguajar da sarjeta.
DM ¿ Se refere à histeria de ACM Neto?
Dirceu ¿ A todos que estão falando e desrespeitando a instituição e ao presidente da República. Eles merecem o repúdio da sociedade. Isso não vai levar a nada e só vai agravar a situação do Brasil.
DM ¿ A absolvição de Sandro Mabel pode ajudar o senhor em seu processo?
Dirceu ¿ Claro. Primeiro, porque ele merece e precisa ser absolvido. Não há provas contra ele. Contra mim também não existem provas! Não se trata das mesmas questões ou mesmos problemas, não vou querer comparar, porque seria uma injustiça minha com Mabel, mas é evidente que ele está sendo absolvido porque está se fazendo verdadeira justiça. Não há nenhuma prova contra ele. Pelo contrário, acho que a deputada Raquel Teixeira (PSDB) tinha que responder pelo que fez.
DM ¿ Mas testemunho oral não é prova?
Dirceu ¿ No caso do Sandro Mabel não tem prova nenhuma, não tem nenhum indício, nenhuma evidência... Nada.
DM ¿ Palavra contra outra?
Dirceu ¿ É, ela não era pessoa isenta. Tinha interesses em prejudicar Mabel, acho que era uma vindita política, vamos dizer assim.
DM ¿ Que forças vão se integrar junto ao PT em 2006?
Dirceu ¿ Acho que as forças que apoiaram o governo: PSB e PC do B. Espero que o PL continue na coalizão. O vice-presidente era do PL, agora está no PMR, mas espero que o PL continue. E queremos apoio do PMDB.
DM ¿ Garotinho tem condições de ser candidato?
Dirceu ¿ Acho que vai haver uma disputa interna do PMDB porque tem outros candidatos como Roberto Requião. Vai ter uma prévia e Garotinho está trabalhando para ganhar. Ele tem chances reais de ganhar a prévia, mas não é tão simples, porque os senadores ¿ e a maioria dos governadores, pelo menos ¿ têm manifestação contrária à candidatura dele. Agora, ele é um candidato forte porque tem 15% de votos na pesquisa.
DM ¿ Terá um fato novo?
Dirceu ¿ Sempre tem. Em política, sempre pode surgir. É temerário dizer que não pode surgir candidatura nova num partido que empolgará o eleitorado. Apesar de que a candidatura do Lula e a candidatura do PSDB juntas somam quase 70% dos votos, dando mostras de que a eleição já está toda polarizada.
DM ¿ Vai estar com o presidente Lula na reeleição?
Dirceu ¿ Não posso dizer isso agora. Vamos esperar: não quero fazer nenhum pré-julgamento, nenhuma previsão para 2006. Primeiro, quero chegar no dia 23, ser absolvido... Aí, depois, quero planejar minha vida. A única coisa que tenho de compromisso é escrever o livro. Tenho outro desafio: dentro de um ano, nos Estados Unidos ou no Brasil, estar falando inglês.
Leia entrevista de Dirceu ao Diário da Manhã - 3
O jornal ¿Diário da Manhã¿, de Goiânia, publicou hoje entrevista com o deputado José Dirceu. Leia, a seguir, parte da entrevista:
Oposição sem ética
José Dirceu diz que o governo Lula e ele são alvo de denúncias de partidos que romperam todas as regras democráticas e de civilidade. Deputado acusa CPI dos Bingos de ser ilegal
Ulisses Aesse
Editor de Reportagem
Welliton Carlos
Da editoria de Economia
Para o ex-ministro José Dirceu, a imprensa tem atuado de forma diferente quanto à apuração das denúncias feitas no Brasil. Ele lembra fatos que ocorreram na época do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso e que não tiveram nenhum destaque por parte dos veículos de comunicação. Dirceu cita como exemplo os processos de privatização que ocorreram no governo de FHC, muitos criticados e denunciados, e que foram, de certa forma, evitados pelo noticiário naquele momento.
Na entrevista que continua abaixo, Dirceu lembra que não guarda nenhuma mágoa ou ressentimento do deputado Roberto Jefferson (cassado pela Câmara) e que o acusou de ser o ¿chefe do mensalão¿. De acordo com o ex-ministro-chefe da Casa Civil, é comum as pessoas terem decepções na vida profissional, amorosa e mesmo política.
José Dirceu aproveita a entrevista dada ao Diário da Manhã para condenar o papel da oposição, que, segundo ele, tem agido de forma equivocada, sem ética e violando o regimento do Senado e do próprio Congresso Nacional. Para isso, ele critica a criação de três CPIs, todas com o intuito de prejudicar a administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ¿A CPI dos Bingos investiga tudo, menos os bingos. Bingo mesmo não está sendo investigado. Está sendo investigada é a morte de Celso Daniel¿, prefeito de Santo André, filiado ao PT, assassinado em 2002.
Para Dirceu, ao agir assim, a oposição utiliza-se de um instrumento antidemocrático, o que pode ser prejudicial para ele em um tempo futuro.
DM ¿ Para o senhor, a Veja tem interesse de colocar alguém, um tucano, por exemplo, no poder?
Dirceu ¿ Claro. A Veja fez campanha para o (José) Serra em 2002, em 2004. Eu acho, também, que a Folha (de S. Paulo) não tem como esconder que ela favoreceu o Serra nas duas campanhas.
DM ¿ O senhor acha que a Globo está agindo isentamente?
Dirceu ¿ Não tenho acompanhado, acompanho mais a Folha (de S. Paulo) e o Correio Braziliense do que o jornal O Globo e o Estado de S. Paulo. Apesar que eu leio clipping e resumo todos os dias, mas não tenho tempo para ler todos os jornais. A imprensa vai alegar que é a opinião pública que pressiona a imprensa, (os e-mails, as cartas, os telefonemas), mas na verdade nós chamamos, o Nelson Breve, que é nosso assessor, e eu, de ¿Opinião Publicada¿. A verdade é que uma parcela grande da imprensa fez uma opinião pública, construiu essa idéia que o governo do Lula tinha acabado, que o governo é corrupto, que o PT é corrupto. Se você analisar as denúncias que aconteceram no passado contra o PSDB e PFL, você vai ver que a imprensa não tratou da mesma forma, da mesma maneira. Basta ver que esse problema de caixa 2 e as planilhas do Bresser Pereira (ministro da Fazenda) que caíram estão em esquecimento, tem o caso da Casa Branca, 32 milhões de reais em 2002 da produtora da campanha do José Serra, que caiu no esquecimento. Tem as denúncias que surgiram em torno das privatizações e todas denúncias em torno do governo Fernando Henrique Cardoso, tirando determinados momento que a Folha de S. Paulo particularmente fez coberturas muito fortes em relação ao governo Fernando Henrique Cardoso (e denúncia de corrupção e tudo, compra de votos, CPI da corrupção), o tratamento não é o mesmo.
DM ¿ O senhor acha que a imprensa o escolheu só por ser o mais próximo do presidente ou o senhor acha que se tivesse outra pessoa que não o ¿José Dirceu¿, essa pessoa estaria na mesma situação que o senhor?
Dirceu ¿ Eu não diria que a imprensa me pegou. Eu tinha um papel importante no PT, na campanha e tive no governo. A medida em que Roberto Jefferson me acusou, até aceito e seria natural que eu fosse investigado, quero ser investigado pela Polícia Federal, pelo Ministério Público, eu não temo ser investigado pelas CPIs... O problema é que a imprensa não reconhece que não há provas contra mim, que estão me cassando, que é uma cassação política. É um banimento pela segunda vez na vida do País, sem provas.
DM ¿ Não reconhece?
Dirceu ¿ Ela encobre, faz de conta que não existe esse assunto. Por exemplo, a imprensa aos poucos foi transformando no Brasil direitos de defesa e recurso judicial em chicana jurídica, em postergação para condenação. A coisa é tão descarada que eles nem se dão ao cuidado de dizer que você vai ser julgado, você está postergando julgamento. Eles falam que você está postergando a condenação. Então, eles já decidiram que você está sendo cassado. A imprensa decidiu que eu tenho que ser cassado.
DM ¿ O senhor tem alguma mágoa do ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB)?
Dirceu ¿ Não, não tenho mágoa, nem ressentimento. Não trabalho com mágoa e nem ressentimento. Se trabalhasse com mágoa e ressentimento nesses últimos 40 anos de vida política que tenho, teria morrido de enfarte ou teria tido câncer. Na política e na vida pessoal política, empresarial, familiar, profissional, social, você tem decepções, traições, mas tem também surpresas e tem também gestos de solidariedade inacreditáveis. Eu, por exemplo, me sinto reconfortado pela solidariedade que tenho, pelo apoio que tenho. Não me faltou apoio nesses seis meses.
DM ¿ Como é a vida do senhor nas ruas, por onde anda?
Dirceu ¿ A Folha de S. Paulo tentou criar um clima de manifestações contra mim. Acho que o objetivo foi esse, a coisa foi descarada, mas nunca tive nenhum problema nas ruas. Viajo de avião, faço compras, saio com a família, vou a restaurante. É evidente que sempre você tem manifestações de solidariedade e algumas de protestos. Isso faz parte da democracia, mas jamais fui desrespeitado. Nunca! As pessoas me respeitam, podem não concordar, manifestar seu desagrado, vir conversar comigo dizendo que estão decepcionadas, mas da mesma maneira que existe pessoas decepcionadas, tem dez vezes mais as que vêm me prestar solidariedade, pedir autógrafo, tirar fotografias. Julho, agosto, outubro para novembro, mudou completamente minha situação porque foi ficando claro que não há provas contra mim e fui conseguindo expor meus pontos de vista. Fui a vários programas, dei várias entrevistas. Fui a programas de rádio e televisão. Na verdade existe uma oposição e uma rejeição ao PT e ao presidente Lula, nosso governo, mas faz parte da disputa política no Brasil. O Lula não foi eleito com 5% dos votos, foi eleito no primeiro turno com 40%, acho, dos votos. É natural também que haja alternância de poder, disputa pela reeleição, e que haja oposição, o papel da oposição é fazer oposição, investigar e fiscalizar o governo.
DM ¿ Concorda com a oposição como ela é feita no País?
Dirceu ¿ Não. Acredito que eles (partidos) romperam todas as regras de civilidade e todas as regras democráticas, com o processo que eles estouraram, de três CPIs. Essa CPI dos Bingos, por exemplo, é uma CPI totalmente ilegal. É uma CPI que não respeita o próprio requerimento que foi aprovado pela constituição da CPI, que é para investigar bingo. Bingo mesmo não está sendo investigado, está sendo investigada é a morte do Celso Daniel, que é um absurdo, que a Polícia Civil e o Ministério Público do Estado de São Paulo já fizeram uma investigação e estão fazendo uma segunda. E começam a investigar qualquer notícia que surja no jornal. Quer dizer, amanhã, pode ter uma maioria no País que faça isso de novo contra o PFL e contra o PSDB. Estão usando um instrumento antidemocrático na minha opinião. Estão violando o regimento do Senado, do Congresso.
DM ¿ E fazem o senhor aparecer na televisão, na imprensa...
Dirceu ¿ Abertamente, e o pior: ninguém protesta e nem denuncia isso.
Leia entrevista de Dirceu ao Diário da Manhã - 2
O jornal ¿Diário da Manhã¿, de Goiânia, publicou hoje entrevista com o deputado José Dirceu. Leia, a seguir, parte da entrevista:
Tentativa de golpe branco
Deputado diz que PSDB quer criar clima de golpismo, acredita em absolvição e fala de livro em que vai revelar bastidores do poder
Nesta parte da entrevista, José Dirceu fala sobre projetos de fazer livro a respeito dos 30 meses na Casa Civil. Ao contrário do divulgado na imprensa, não pretende ir para uma ¿ilha deserta¿ com escritor Fernando Morais para realizar gravações. ¿Pode ser num apartamento mesmo¿, diz sorrindo. Apesar da tensão que antecede o dia final que será julgado pelo plenário da Câmara dos Deputados, afirma que assiste muitos filmes e corre todos os dias. Nega com convicção qualquer estado depressivo. Mas denota estar ansioso para a chegada do grande dia que será julgado.
Não perdoa a oposição e compara a prática política do PSDB com o PT quando estava fora do poder. Diz que Fernando Henrique Cardoso recebeu melhor tratamento do que Lula. ¿Não defendi o Fora-FHC¿, fala. Para o parlamentar, existe uma tentativa de golpe branco contra a sustentabilidade do governo Lula. E o PSDB seria o instrumentalizador.
DM ¿ O PT fazia oposição xiita no governo de FHC, correto?
Dirceu ¿ Não, não fiz isso e o PT não fez. Primeiro, que Fernando Henrique Cardoso não deixou instalar nenhuma CPI. Quando perdeu na assinatura derrubou na Comissão de Constituição e Justiça; e quando perdeu na Comissão de Constituição e Justiça derrubou de outra forma. Nunca, portanto, teve CPI.
DM ¿ Faziam algo ilegal para não ter CPI no governo FHC?
Dirceu ¿ Não, mas tinha a maioria (na Câmara Federal). Fernando Henrique usou a maioria que tinha e nunca deixou ter investigações.
DM ¿ Usou máquina administrativa na época, então?
Dirceu ¿ Usou parlamentares, emenda, nomeações, poder... Usou tudo.
DM ¿ O senhor acredita na sua condenação?
Dirceu ¿ Tenho chances reais de reverter no plenário a minha condenação porque não há provas, porque nesta situação, com a evolução da disputa política, vai ficando evidente que tudo que a oposição quer é a cassação. A oposição chegou a exigir do presidente Lula que ele não fosse candidato à reeleição, que não percorresse o País, não falasse com o povo. Isso é um golpe branco que quiseram dar. Chegaram a falar em impeachment sem nenhuma base legal, sem nenhuma prova, sem consistência. Agora estão voltando de novo nisso. Essa matéria da revista Veja sobre Cuba, a maneira como estão tratando essa questão da Visanet... Porque o mínimo da Visanet é o direito à dúvida e à presunção de inocência. Quer dizer: tem que provar que não houve prestação de serviços. E outra coisa: essa questão da Visanet já saiu na imprensa há alguns meses. É matéria requentada também. Isso já saiu nos jornais. Nós vimos, nossa assessoria viu e conferiu que essa notícia teria saído em julho. É uma matéria requentada para criar o clima de criminalização do PT e desestabilização do governo. O objetivo é não deixar o governo se estabilizar, não deixar o governo governar e por quê? Depois de seis meses o Lula continua forte nas pesquisas, o PT continua liderando, o PT fez o processo de eleições internas diretas e foi um sucesso.
DM ¿ Acha que o pior já passou ou vai piorar?
Dirceu ¿ Não, acho que vai continuar a disputa política, pelo tom dos discursos na convenção do PSDB (realizada no domingo, 6), pelo desrespeito ao presidente e pelo baixíssimo nível, pela violência que o PSDB está tratando. Esse partido está introduzindo na política um grau de ódio e violência que vai se voltar contra ele. Porque na democracia é assim: da mesma forma que ocorre com a gente tal violação no devido processo legal, dos direitos de defesa, esse desrespeito às decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), a tentativa de achincalhar a Justiça, a pressão que a mídia fez sob o Supremo, isso tudo viola os direitos que serão deles amanhã. Veja, a mídia começou a fazer pressão no Supremo Tribunal Federal e isso, evidentemente, viola os direitos individuais. Viola o estado de direito da democracia, que não fica imune. Acredito, com toda certeza, que o PSDB está com esse tom de discurso, de surrar o presidente da República.
DM ¿ FHC não foi à convenção do PSDB porque achou que iam pesar no discurso?
Dirceu ¿ Não sei o motivo dele não ter ido. Mas evidentemente que não há como não comparar as duas posturas. O PT fez um encontro em 1999 e defendi nessa reunião ¿ inclusive ganhei junto com outros companheiros e companheiras ¿ a tese de que nós não podíamos assumir a palavra de ordem ¿Fora FHC!¿, de fazer impeachment de Fernando Henrique, de exigir renúncia, porque considerava aquilo violação da democracia. E eles estão fazendo isso abertamente agora. E pior, fazem bem pior, porque quando não tem respaldo da opinião pública, se escondem por detrás do PFL, se escondem por detrás da iniciativa de terceiros... Eles têm os laranjas, que ficam propondo impeachment do presidente Lula.
DM ¿ Já vivenciou antes um processo político como este?
Dirceu ¿ O Brasil já viveu campanha contra corrupção, contra ¿subversão¿ em 1963 e 1964. E, depois, nunca tínhamos visto tanta corrupção como no regime militar e o golpe foi dado exatamente contra a corrupção. Na verdade, aquilo era pretexto. Volto a repetir: as denúncias de corrupção precisam ser apuradas, responsáveis precisam ser punidos, mas não é verdade que o governo do presidente Lula é corrupto e muito menos que o PT é corrupto. O PT vai pagar, vai responder pelos erros que cometeu. O resto é instrumentalização política da oposição para tentar inviabilizar o governo do presidente Lula, a credibilidade do presidente Lula no poder. É uma tentativa de cassar o registro do PT e banir o partido da vida política do País. Tanto isso é verdade que não ficou só em mim. Eles foram para Gilberto Carvalho, para Palloci, para a família do presidente. E não pára. O processo continua.
DM ¿ Esses fatos ameaçam a vida democrática do País?
Dirceu ¿ Não, não acho que há uma ameaça à democracia nem às instituições. Mas ameaça a estabilidade do País. O que existe é uma tentativa de desestabilizar o governo e uma tentativa de inviabilizar o governo Lula e de impedir a reeleição do presidente, porque, nas urnas, eles tendem a perder. O governo está se recuperando, o presidente, também. E o PT está crescendo novamente. Vai ser uma disputa dura e difícil para eles em 2006.
DM ¿ Parece que há um certo distanciamento do senhor com o presidente?
Dirceu ¿ Não, não há nenhum distanciamento. Nenhuma mágoa entre eu e o presidente. O que há é a realidade: sou ex-presidente do PT e ex-ministro. Não tenho a mesma relação com o presidente. A relação agora é outra: se fosse ministro estaria todos os dias despachando com ele. Se fosse presidente do PT também estaria regularmente com ele. Mas sou deputado federal e estive com ele na reunião da bancada, quando convidou parlamentares. Estive duas vezes com ele. É razoável para quem foi ex-ministro e ex-presidente. Conversamos sobre a situação política. Aliás, numa das vezes era também uma reunião social. Então acho normal e natural o que ocorre agora. Presidente tem é que governar o País, tem suas responsabilidades administrativas. O PT tem mesmo que enfrentar a crise. Nós temos que enfrentar, os deputados, a bancada do PT. Mas a prioridade do presidente é o País, o governo. Logo, não é problema dele a defesa, nem os problemas internos do PT.
DM ¿ Esse processo deixou o senhor deprimido, com algum problema de saúde?
Dirceu ¿ Não, não, não. Faço exercício diariamente. Não fumo, bebo pouco, leio, vejo filmes, viajo. Tenho uma vida normal: trabalho, sou deputado, acompanho o parlamento. Não faltei a nenhuma sessão na Câmara. Quando falto é justificado: é porque estava no Conselho de Ética fazendo depoimento ou porque estava em viagem de representação da Câmara. Fui em todas reuniões do PT até extinguir meu mandato no diretório.
DM ¿ Sobra tempo para correr todos os dias?
Dirceu ¿ Religiosamente: todos os dias. Ontem mesmo caminhei nas ruas. Geralmente faço esteira, mas está muito quente, abafado, por isso corro nas ruas.
DM ¿ É cinéfilo? Tem tempo para ir ao cinema?
Dirceu ¿ Vejo muitos filmes em casa. De tudo um pouco. Vejo drama, épico, comédia...
DM ¿ Parece que gosta de pintura, de artes plásticas?
Dirceu ¿ Tenho alguns quadros. A minha sogra, dona Luzia, é pintora, tenho vários quadros dela. Alguns pintores goianos, Omar Souto, Oliver, Dina Cogolli...
DM ¿ Não faz nada de artístico? Atua, escreve, toca instrumentos?
Dirceu ¿ Já fui empresário (quase seis anos), servidor público (cinco anos) na Assembléia Legislativa de São Paulo. E sou advogado há 20 anos, mas advoguei somente um ano.
DM ¿ Cassado ou absolvido, o que pretende fazer?
Dirceu ¿ Qualquer coisa que aconteça, cassado ou não (mas eu não creio que serei cassado), pretendo voltar a advogar. Vou repensar e refazer a minha vida, porque depois de dez anos de presidência do PT, nessa luta toda que travei de 95 a 2005, depois de tudo que aconteceu, acho razoável que faça uma reflexão.Tenho uma idéia de fazer um livro com o Fernando Morais sobre a experiência na Casa Civil.
DM ¿ O senhor vai escrever na primeira pessoa?
Dirceu ¿ Não, ele vai me ajudar, mas eu que vou fazer e escrever o livro.
DM ¿ O senhor acha que esse livro é para quando?
Dirceu ¿ Mais rápido possível, talvez, no final do ano.
DM ¿ Isso é para soltar, liberar, desopilar o que tem dentro do senhor ou é para ganhar dinheiro e pagar advogados?
Dirceu ¿ Não, acho que é porque tenho a obrigação de fazer um balanço dos 30 meses na Casa Civil, de relatar como era o meu dia-a-dia de ministro. Falar muito do que não falei ainda, dos debates, das divergências, do que o governo fez, da importância das mudanças que fizemos no País. Falar do Planalto, dos avanços que o governo Lula conseguiu, e também dos erros, desafios, falar um pouco do Brasil, sobre o que fiz, desmistificar muito o que se fala da minha pessoa como ministro e político.
Leia Entrevista de Dirceu ao Diário da Manhã 1
O jornal ¿Diário da Manhã¿, de Goiânia, publicou hoje entrevista com o deputado José Dirceu. Leia, a seguir, parte da entrevista:
Entrevista
¿A imprensa me linchou¿
Ex-ministro da Casa Civil diz estar sendo acusado de chefiar esquema do mensalão sem existir provas, critica oposição de tramar golpe branco para inviabilizar o governo Lula e fala sobre futuro político
Ulisses Aesse
Editor de Reportagem
Welliton Carlos
Da editoria de Economia
Quatro goianos repousam silenciosamente nas paredes brancas do apartamento do ex-ministro e hoje deputado federal José Dirceu (PT), localizado na Quadra 311, da Asa Sul, em Brasília. Os artistas plásticos Omar Souto, Oliver, Luzia Garcia e Dina Cogolli (ela é italiana, mas mora em Goiás) dão um toque especial e sincronia cromática ao ambiente decorado discretamente num estilo neoclássico e iluminado pela luz do sol, que, mesmo filtrada pelas venezianas, invade a sala de dois ambientes do apartamento funcional com direito ao canto das cigarras lá fora. Na entrevista com o ex-ministro-chefe da Casa Civil, percebe-se certa erudição (na grande mesa de centro da sala, embaixo da enorme prancha de vidro, vários livros de pintores, como o goiano Siron Franco e o pernambucano (Francisco) Brennand; na mesa de televisão Phillips de 29 polegadas, a cinegrafia (em DVD) completa do mestre do suspense Alfred Hitchcock. Em uma das mesas laterais, a seleção de fotografias recorda José Dirceu com a família. Noutra, num momento de intimidade, de extrema alegria, brinca com um ¿biloquê¿. Dirceu estava longe do período de tensão que vive agora. Vestido numa camisa vermelho sangue, num habitual brim azul e mocassim (sem meia), o ex-ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República recebe, com um sorriso aberto, de quem está bastante tranqüilo, a reportagem do DM. Rompe o silêncio pela primeira vez numa extensa entrevista que publicamos em quatro páginas. Atencioso, chega a oferecer água, café ou suco aos presentes. José Dirceu, uma das lideranças do PT, que enfrenta hoje processo na Câmara dos Deputados que poderá cassar seu mandato, diz que é vítima de um golpe tramado pela mídia e oposição. Nas suas respostas, num tom monocórdio, sem altos e baixos, o deputado diz que se considera ¿réu sem provas¿. É preciso ler nas entrelinhas algumas declarações, pois revelam parte do futuro político do PT e do próprio ex-homem forte do governo, que já avisa: vai fazer um livro sobre 30 meses na Casa Civil. Dirceu critica a revista Veja, a quem atribui ter feito, de forma escancarada, campanha para José Serra. Enérgico nas colocações quando o assunto é a revista, Dirceu não tem dúvidas de que a publicação é hoje instrumento a serviço do PSDB. Demonstrando confiança, acompanhado do assessor Nelson Breve, um de seus escudeiros, esmiuça definições de projeto futuro como, por exemplo, a publicação do livro, que terá auxílio do biógrafo Fernando Morais (Olga e Chatô, o Rei do Brasil).
Diário da Manhã ¿ O senhor crê que a imprensa, ao invés de contribuir com a democratização, às vezes, faz o contrário?
José Dirceu ¿ Veja bem: a imprensa, no caso do Brasil, primeiro é bastante concentrada, apesar de termos jornais regionais, municipais. Segundo, uma pequena elite só do País lê jornais, apesar de que hoje temos a internet on-line. Ela tem ajudado o País no processo político, no processo de democratização. Não se pode fazer um julgamento, também peremptório, de que a imprensa não tem ajudado. Ela em diferentes momentos jogou um papel bastante político, por exemplo, uma parte da imprensa apoiou o golpe militar e inclusive deu cobertura para a repressão nos anos da ditadura militar. Isso é público e notório. Uma parte da imprensa fez tudo para derrubar Juscelino Kubitschek nos anos de 55 a 59. Uma parte da imprensa conspirou abertamente para derrubar João Goulart ¿ e aquilo era uma violação da Constituição. Se você for retomar o mar de lama do Getúlio Vargas, você vai ver que a imprensa jogou um papel, também, como jogou também na democratização, na campanha das Diretas, no impeachment do Collor. Então é preciso desmistificar: a imprensa tomou partido. A imprensa participa dos eventos políticos do País.
DM ¿ E se equivoca às vezes?
Dirceu ¿ Comete erros gravíssimos. Tem livros como o do Luis Nassif, como o do Mário Rosa que mostram, em parte, como a imprensa cometeu erros graves.
DM ¿ Como o senhor vê o papel da mídia? Qual o futuro de um País que tem a mídia como essa que temos no Brasil?
Dirceu ¿ Acho que realmente a imprensa me prejulgou e linchou. Por exemplo, no caso do prefeito (de Cruzeiro d¿Oeste, no Paraná), que é meu filho, Zeca Dirceu, o modo como a imprensa retratou é um pré-julgamento. Primeiro que a imprensa teve acesso aos processos sem os advogados terem. E a imprensa já traz testemunhas como se fosse a pena, como se fosse um julgamento e condenação. Então a coisa é grave. Porque uma testemunha falou e já está tudo provado. Isso está acontecendo muito. Não há nenhum crime. Ele (Zeca) era funcionário, era chefe de um escritório da Secretaria de Emprego e Renda de Umuarama e antes era secretário de Indústria, Comércio e Turismo do Município, porque o prefeito anterior o PT apoiou, elegeu e depois rompeu com o prefeito, que era do PPS. Ele tinha apoio do governador e o governador já declarou que ele estava falando em nome do governo. Ele tem apoio dos deputados das bancadas, dos prefeitos, mas não adianta. O Ministério Público anunciou que ia denunciar e depois denunciou e a imprensa fez.
DM ¿ O senhor se julga ¿um réu sem provas¿?
Dirceu ¿ Claro, totalmente sem provas.
DM ¿ Estão tentando pegar o seu filho para ver se conseguem formular provas contra o senhor, que, até agora, não existem?
Dirceu ¿ Na verdade eles fizeram um jogo antes da votação do Conselho de Ética, eles foram trazendo à tona, colocaram na pauta essa questão do Zeca Dirceu, colocaram na pauta a questão do empréstimo daquele Onix Lorenzoni (PFL), que fez uma denúncia vazia. Inclusive ele quebrou o decoro parlamentar porque deu publicidade ao sigilo, convocou uma reunião reservada e depois dá uma coletiva. Isso a TV Senado gravou tudo. Então, como se dá uma coletiva se a reunião é reservada? Isso mostra que a imprensa todinha é articulada para divulgar uma denúncia vazia. Meu filho, essa do Onix Lorenzoni e a coisa do Roberto Marques, que a própria imprensa também transitou em julgado na imprensa. Houve durante meu processo, por exemplo, essa questão que o Roberto Jefferson foi cassado, porque não ficou comprovado que tinha mensalão e estou sendo acusado de ser o chefe do mensalão. Isso a imprensa esconde. Segundo, que o PTB retirou a ação. A imprensa desapareceu com esse tema também. Quer dizer, não há prova nenhuma contra mim, porque não tenho participação no chamado mensalão ou na retirada de recursos, no nome que se dê. Também isso desapareceu. Então fica assim: eu sou chefe de um esquema de arrecadar recursos ilegalmente ou de corrupção para pagar e/ou comprar parlamentares, o chamado mensalão. Essa é a acusação. E há a acusação que eu tinha que saber: se eu não sabia, pior ainda. Aí que eu tinha que ser condenado. Então é presunção de culpa e inversão das provas. Eu que tenho que provar que sou inocente.
DM ¿ Isso tudo começou com o tesoureiro, no caso Delúbio Soares. O senhor não acha que há semelhança com o caso do impeachment do presidente Collor? Podemos dizer que seria ¿golpismo¿ de alguns grupos (políticos) que tentam dominar o Brasil?
Dirceu ¿ Não, eu diria, sempre falo e repito que não se pode jogar criança junto com água. Se tem denúncia de corrupção, tem que ser apurado. Se houve por parte do PT essa tomada de empréstimos através das empresas de Marcos Valério em bancos e o repasse para pagamento de campanhas ou para campanhas eleitorais, do PT e de outros partidos, isso é ilegal, tem que responder perante a Justiça eleitoral. Agora, o que aconteceu a partir dessas denúncias, desse fato, construiu todo um movimento para inviabilizar a reeleição do Lula, depois para desestabilizar o governo, depois para derrubar o governo. A verdade é essa. Acabei sendo o símbolo de tudo isso. Quer dizer, me cassar passou a ser o preço para atingir o PT e o governo do Lula. A verdade é essa. Não estou sendo cassado por que sou José Dirceu, o deputado federal. Eu estou sendo cassado porque fui presidente do PT, porque coordenei a campanha do Lula, fui ministro durante 30 meses na Casa Civil, pelo que represento nessa luta toda para a esquerda chegar ao governo do Brasil. A verdade é essa.
DM ¿ Costuma-se falar que o senhor é arrogante, com semblante fechado. Acha que a imprensa tem má vontade por apresentar essa imagem?
Dirceu ¿ Não, não acredito que seja isso. Isso pode ocorrer, pelo excesso de trabalho que tinha, pela agenda lotada, pelas funções que acumulei, pela minha história. Porque a imprensa cria imagem. Nesse começo do governo do Lula, a Folha (de S. Paulo) começou a dizer que eu era sombra, aí eu protestei e falei: sombra? É alguém que não tem publicidade, visibilidade. Todos os cargos que assumi tiveram eleição direta. Pelo centro acadêmico, na UEE, fui deputado estadual, deputado federal três vezes, fui candidato a governador. No PT fui eleito a última vez por eleição direta. Sou ex-ministro de Estado, como posso ser sombra? Sombra do quê? Fui presidente do PT por sete anos, secretário-geral por cinco anos, isso era público. Sombra podia falar na época da clandestinidade, mas também não era porque eu tinha uma identidade assumida. Era uma pessoa pública. Não há nada que me desabone nos anos que passei na cidade (Cruzeiro dOeste). Passaram 30 anos e não tem nada que me desabone. Fez 30 anos agora em abril que cheguei lá. Então a imprensa faz isso. E o caso que sempre cito é o Sombra Sérgio Gomes, que nunca teve apelido de Sombra. O apelido dele era chefe. A imprensa sabe que o apelido dele era chefe. Ele era chamado assim pelos amigos, pelos funcionários, dirigentes do PT. Mas virou sombra? Por que sombra, se ele também era pessoa pública? Foi assessor do Celso (Daniel), chefe de gabinete, ele tem vida empresarial, endereço, família, vive publicamente. São apenas clichês que a imprensa inventa para denegrir a imagem.
DM ¿ Por que parte da imprensa inventa clichês e denúncias para prejudicar a imagem dos políticos?
Dirceu ¿ Porque é a luta política, é a disputa de interesses, a disputa pelo poder. A imprensa faz parte dessa luta e não adianta dizer que não. A revista Veja está jogando nesse momento o papel do conservadorismo, da direita, de agrupar e dirigir o eleitorado grande do Brasil, de forma conservadora.
09/11/2005
Congresso terá de seguir Justiça
O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Edson Vidigal, defendeu ontem o direito do deputado José Dirceu de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para evitar a cassação de seu mandato. Ele afirmou que deputados e senadores que reclamam de ingerência do Judiciário sobre o Congresso precisam estudar melhor a Constituição, que prevê o direito de recorrer ao Supremo.
O ministro ressaltou que não saía em defesa de Dirceu e sim explicava teoricamente o que diz a legislação:
- Por favor, não vão dizer amanhã que eu estou defendendo o Dirceu. Estou apenas ajudando vocês (jornalistas) a entenderem o caso.
Vidigal, que participou ontem, no Rio, do Fórum Mídia e Violência, promovido pelo Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, não poupou críticas aos parlamentares e até aos processos de cassação em curso no Congresso.
- Muitos deputados e senadores não estão lendo a Constituição. Está lá que qualquer pessoa que se sinta lesada, tem o direito de ir ao Judiciário reclamar. O Fórum competente para reclamar contra o Senado ou a Câmara dos Deputados é o STF. Não é ingerência nenhuma - apontou.
Em mais uma consideração teórica, Vidigal lembrou que ninguém pode ser considerado culpado antes de ser julgado, ao comentar a declaração do presidente Lula no programa ""Roda Viva"" de que não havia provas contra Dirceu e que o deputado será cassado por motivações políticas.
Em relação aos processos de cassação que correm no Congresso, o presidente do STJ avalia que a Constituição deveria ser modificada neste caso. Na sua opinião, o Judiciário deveria assumir o papel de julgar estes processos.
- Os iguais não devem julgar os seus iguais porque isso gera um processo de retaliação interminável, principalmente no palco político. É um grande erro instituir a cassação de mandato parlamentar por falta de decoro parlamentar - defende.
Para o ministro do STJ, a cassação de parlamentares abre um precendente para a volta do totalitarismo.
- Basta que um partido tenha maioria, que pode começar a cassar todos os seus adversários, com o argumento de falta de decoro. Hoje é o José Dirceu, manhã pode ser qualquer um - disse.
Ele acrescentou que o conceito de falta de decoro é discutível e que outras penas como suspensão do mandato ou do pagamento por um período poderiam ser aplicados nestes casos.
Vidigal usou a palavra ""denuncismo"" ao comentar o caso. O presidente Lula também falou de ""denuncismo vazio"" quando a CPI dos Correios denunciou que o Banco do Brasil era uma das fontes do mensalão.
- Muitas suspeitas induzem a conclusões negativas. A onda de denuncismo é muito comum no facismo. - afirmou.
O ministro disse que não assistiu toda a entrevista de Lula na noite de segunda-feira na TV Cultura, mas apontou que gostou da frase ""Tem hora que nem eu me agüento mais"". Durante a palestra, Vidigal afirmou que também gostaria de usar a frase quando é alvo de denúncias, segundo ele infundadas, da imprensa.
Vidigal voltou a criticar a atuação das três CPIs que estão em curso no Congresso. Desta vez, o alvo do ministro foi a conduta desrespeitosa dos parlamentares entre eles e com depoentes. Ele já havia citado que os parlamentares estavam perdendo tempo com os longos depoimentos.
- Os parlamentares se comportam de formas não muitos aplaudíveis, falando alto, de forma agressiva. As CPIs dizem que tem a mesma prerrogativa do Poder Judiciário, mas no Judiciário, o juiz tem que tratar com respeito as partes - disse.
Sábado, Novembro 05, 2005
JOSÉ DIRCEU.
Fino, elegante, impávido e aclamado.
Este o guerreiro da terra nobre.
Em processo plantado.
Cheio de risco institucionais,
atropelos jurídicos.Prejudicado,
a confirmar sentença anunciado.
O Conselho de E'tica.
Que E'tica, encobre.
Desrespeita normas jurídicas,
Supostas responsabilidades políticas,
de supostos segredos arguido.
Deste Dirceu, nunca vencido.
Pôr trás tudo manobra da Cia.
Fantoches repetem tribunal da Bastilha
Dirceu é Marat. Não merecia.
Este ansioso simulacro e partilha.
Dirceu é labareda estranha.
Fará de novo, 64 onde estava.
Será chicote que amanha.
Que o Brasil aspirava.
DON ANTÔNIO MARAGNO LACERDA
Prêmio UNESCO/poemas.jornal.
www.jornaldosmunicipios.go.to
jornaldosmunicipios@ig.com.br
O mito Dirceu: guerrilheiro, capitão ou bruxo?
Tinha intitulado este artigo como "temporada de caça ao bruxo". Mas, ao observar a desconstrução da imagem a que vem se submetendo o deputado José Dirceu , nestes últimos meses, nas principais manchetes nacionais, resolvi refletir a esse respeito, baseando-me em estudos sobre o comportamento da cultura de massas.
Como pano de fundo, no palco, a mídia alvoroçada, anunciando a noite das feiticeiras. O deputado Dirceu, denominado por colunistas em grandes jornais como "aprendiz de feiticeiro" e "prisioneiro de sua própria biografia", é o mesmo que já foi chamado pelo presidente Lula , de "capitão do time".
Pergunto-me sobre a cultura de massas, em que se constroem mitos e em que se os derrubam, com certeza. Porém, há a possibilidade de se os reconstruírem, com novos postulados a partir de fatos e desvios de rumo em seus caminhos. Há algo que talvez possamos chamar de "culpa", na sede que o público tem de encontrar seres superiores, misteriosos, afeitos a um "poder" maior, capaz de supervisionar os passos, atitudes e destinos de seus pares. Isso acontece nas instituições religiosas, nos partidos políticos, nos clubes de lazer e nas comunidades necessitadas de organização visando conquistas sociais.
Claro que é absurdo, mas é o universo fantasioso do imaginário popular, tão imensamente estudado por Edgard Morin, no seu livro "Cultura de Massas no século XX". Um ex-guerrilheiro será sempre um lutador inconteste, em qualquer trincheira onde se posicionar, e, como ele tem demonstrado, combaterá sem tréguas e sem desistência. Morin chega a classificar como deuses do Olimpo moderno, essas criaturas cujas vidas são mitificadas pelos seguidores, fãs, eleitores, seus decodificadores fiéis. Assim se fabricam os mitos, os líderes, os reis, os dominadores, os ditadores, os grandes ídolos do cinema, do teatro, das artes em geral, criaturas que acabam "delirando" e até acreditando que estão acima do bem e do mal, além das mazelas menores, a tal condição "humana", esta sim, um destino natural de todos nós, qua lquer que seja o posto que ocupemos, ou o papel que desempenhemos na sociedade.
O Deputado José Dirceu é o grande gerenciador de seu destino, e pode virar o jogo, se conseguir anular perante a opinião pública, o processo de desumanização que vem sofrendo por intermédio da mídia, transmitindo ao povo brasileiro a imagem de Zé Dirceu, aquele que se fragilizou pela perseguição, mas que não se dá por vencido pelos estereótipos que lhe apregoaram.
Como em toda novela da vida pública ou privada, a luta que empreende para salvar o seu mandato, reveste-se de situações que, certamente, imputam-lhe o gosto amargo dos arrependimentos, sem, entretanto, diminuir-lhe a virtude da dedicação à vida pública e o alcance social do seu trabalho. Suas demandas na área jurídica demonstram claramente a natureza institucional do seu combate ferrenho.
Não é nada fácil sacrificar um homem como José Dirceu, enquanto se buscam razões que a própria razão desconhece, e dele, sobrevém a fleuma de um samurai na guerra, desfechando novas estratégias de defesa. Fundamentam-se pareceres antagônicos, demonstrando que se dividem os postulados em seu favor e contra ele, neste momento.
Estabelecidas a divisão e a polêmica, prolonga-se a cerimônia, estica-se o tempo o deputado ganha fôlego para esbravejar, as eminências pardas do Governo Central se eximem de falar, a opinião pública se vê direcionada por uma mídia implacável, e os deputados federais, em seus momentos de solidão reflexiva, devem estar oscilando na cruel decisão de seu voto pela cassação do companheiro.
A partir do emaranhado de conceitos que a mídia tem insuflado, o mito Dirceu se acresce de significados, ora extremos, ora excitantes. Recente pesquisa, entre mais de sete mil leitores do blog do Noblat, revelou que a maioria dos votantes considera que ele está certo em prolongar sua defesa, para salvar seu mandato.
O grande diferencial desta temporada de "a bruxa está solta", é que, na poção devastadora do caldeirão fervilhante, há um componente vital elevado ao estado de vapor, que martela os cérebros pensantes nacionais, em forma de pergunta: - Qual Dirceu afinal, estamos oferecendo aos Deuses do Olimpo Moderno da Cultura de Massas?
Seria o "guerrilheiro", até hoje não perdoado pelos conservadores, o "capitão" que, aparentemente, deixou o barco à deriva, ou ainda, o "bruxo" temido, digno de ser colocado na fogueira, como nos tempos da inquisiçâo?
Aparecida Torneros -RJ
Jornalista e prof. universitária- Rio de Janeiro
Quinta-feira, Novembro 03, 2005
REQUIÃO SAI EM DEFESA DE ZECA
?Não vai ser nenhum promotor federal que, para aparecer na mídia por alguns minutos, vai fazer que se entenda que a eleição do Zeca em Cruzeiro do Oeste teve a influência do Zé Dirceu (deputado José Dirceu) e do governo federal. Não houve nada disso. Foi uma vitória de uma ampla aliança e principalmente porque o Zeca inspirou confiança na população?. A afirmação foi feita neste domingo (30) pelo governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB) e faz referência clara ao procurador Luciano Rolim, que nos últimos dias tem concedido várias entrevistas à imprensa sobre procedimento administrativo do Ministério Público envolvendo Zeca Dirceu porque, no ano de 2003, quando era chefe regional de uma secretaria do governo do Estado, Zeca defendeu em Brasília algumas reivindicações da região. Requião estava acompanhado de deputados e do secretário dos Transportes do Paraná, Waldir Pugliese. A visita não durou mais do que meia hora. Na recepção, além de Zeca, estavam vereadores, assessores e várias lideranças políticas locais. ?Estamos aqui para avalizar o Zeca e dizer que nós também acreditamos que ele fará o melhor governo deste município?, disse Requião, anunciando novas parcerias com a prefeitura.
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CPI duvida de repasse a Jefferson * folha online
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Integrantes da CPI do Mensalão começaram a se convencer de que ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) não recebeu R$ 4 milhões do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza como forma de pagamento do acordo político-eleitoral fechado com o PT para as eleições de 2004.
Em conversa presenciada pela Folha durante a acareação realizada anteontem pela comissão, a deputada Zulaiê Cobra (PSDB-SP) e o deputado Luiz Antonio Fleury (PTB-SP) concluíram que Jefferson produziu a história para credenciar a denúncia do esquema do PT e atingir o então ministro José Dirceu (Casa Civil).
"[A história] era uma arma dele [para destruir o outro lá [José Dirceu]", disse Zulaiê a Fleury. O petebista concordou: "O Roberto Jefferson não pegou nada [do esquema de Valério]." Ouvindo a conversa, o deputado João Correia (PMDB-AC) completou: "É verdade. Não pegou nada", disse.
Questionada sobre a conversa ontem, Zulaiê confirmou a avaliação conjunta. "É isso mesmo, o Roberto Jefferson não pegou dinheiro nenhum. O Marcos Valério, a Simone [Vasconcelos, diretora da SMPB] e até o Delúbio Soares [ex-tesoureiro do PT] falaram a verdade sobre esse assunto. E o Fleury concordou comigo."
A versão dos três é que o PTB recebeu R$ 3,8 milhões em diversos repasses pelo esquema de Valério. (ADRIANO CEOLIN)
Quarta-feira, Novembro 02, 2005
AGONIA E COMBATE
(enviada ao JB sexta feira passada)
A primeira coisa que um dramaturgo aprende sobre seu oficio é que deve dar
a personagens adversários igual dignidade e força argumentativa, para que
o conflito resulte em bom teatro.. Essa dialética deveria ser a alma das
verdadeiras democracias e dos veiculos de comunicaçao que livremente
registrem sua voz. Nao é o que está acontecendo com a campanha de
desqualificaçao moral do deputado José Dirceu, exemplarmente representada
pelo programa do Jô , sobretudo nas quarta feiras , em que até jingles
depreciativos são cantados .Estranho e muito. Pois como democrata e homem
de teatro que é, Jô certamente conhece essas premissas , como também o
sentido que a palavra AGON- CONFLITO, em grego _ tem para esse ofício
nosso da dramaturgia, que é colocar antagonistas em confronto, numa AGONIA
que é COMBATE LEAL E NÀO MORTE.
* Consuelo de Castro - escritora
PUBLICADO NO PAINEL DO LEITOR- Folha- alguns dias atrás
SUICIDIO
Gostaria de perguntar à Eliane Cantanhede por que ela não concluiu de modo
coerente seu raciocínio em ³AGONIA SEM FIM²_ propondo a José Dirceu que
se suicide em nome da harmonia do Conselho de Ética, da CCJ , da mídia e da
felicidade geral da naçào. À Folha pergunto se está ciente do quanto um
texto risível quanto esse coloca em risco o rigido controle de qualidade
que sempre procurou manter.
Consuelo de Castro - escritora
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